por Oscar D'Ambrosio


 

 


Manoel Plácido

 

A arte do retrato

 

Infelizmente existe uma grande confusão entre o que vem a ser a arte figurativa e a arte contemporânea. Muitos acham que, nesta última, que engloba as mais variadas tendências, não existe espaço para as produções com técnica apurada que mergulham fundo, por exemplo, na figura humana, não para copiar o real, mas para extrair dele o máximo possível em termos de pintura.

Há inclusive aqueles que não conseguem ver na pintura figurativa valor artístico, por julgar que, com a invenção da fotografia, a expressão visual de retratos feitos por meio do desenho ou da pintura não tem mais sentido. Quem tem essa opinião parece perder de vista que a própria expressão “contemporâneo” legitima  a possibilidade de vários estilos artísticos conviverem simultaneamente.

É nesse contexto que pode ser lida plasticamente a obra de Manoel Plácido. Nascido em São Paulo, no bairro do Brás, em 8 de julho de 1960, sua relação com a arte provém desde os 15 anos de idade. Seu trabalho foi crescendo ao longo dos anos graças ao convívio com outros artistas como Mauritano Santos e Maurício Takiguthi.

Hoje, como professor em seu atelier, na Galeria Cultural Blue Life e na Fruto de Arte, Plácido concentra seu talento na arte figurativa com um trabalho voltado, nos últimos anos, para o retratismo. Trata-se de um gênero que exige concentração e disciplina, pois, para se destacar, é preciso ter a técnica dos mestres e um quê inovador de humanidade.

Nos retratos que realiza de pessoas famosas, como o cantor Zé Ramalho ou o ator Raul Cortez, o pintor e desenhista paulista mostra a sua busca constante por atingir, por meio de desenho preciso e realista novas conotações em que a arte fale mais alto em dois aspectos: a capacidade técnica de trabalhar a figura humana e a posição mais adequada, inclusive com luzes e  sombras, para que a imagem criada consiga, de fato, atingir o objetivo de não ser meramente um retrato, mas também oferecer a visão integral de uma pessoa.

  Os trabalhos de Plácido com pastel são dignos de referência. Primeiro, por ele retomar uma técnica muitas vezes deixada de lado pelas escolas de pintura; segundo, por fazer isso com rara felicidade, exercitando a sua técnica não apenas na figura em si mesma, mas em tudo que está ao seu redor, como o fundo.

O caminho da arte e da técnica de Plácido parece ser o do aprimoramento na técnica do retrato. Seu dilema, próprio do gênero, é o de não deixar a técnica matar a liberdade de criar e o de não deixar que esta última ofusque suas pesquisas visuais e de material.

Há na arte de Manoel Plácido uma delicadeza que conquista logo à primeira vista. Talvez seja por isso que seus retratos sejam tão humanos. Parece que os seres retratados acreditam na alma humana e na possibilidade de superação de cada indivíduo. Os seres que retrata surgem então com vigor, mas sem violência, com um lirismo encantador, que mostra como a arte figurativa, dede que tenha qualidade, tem espaço no mundo contemporâneo.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Cláudio Tozzi (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 
 

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Pastel sobre papel 2004

Manoel Plácido

 

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