por Oscar D'Ambrosio


 

 


Manoel Francisco Lopes de Faria

 

            A alegria do futebol

 

            O escritor pernambucano – e flamenguista fanático – José Lins do Rego (1901-1957) afirmava que o futebol “liga os homens no amor e no ódio. Faz que eles gritem as mesmas palavras, e admirem e exaltem os mesmos heróis”. Esse universo, repleto de emoção, além de gerar, na literatura, contos inesquecíveis do mestre Edilberto Coutinho, reunidos em Maracanã adeus, inspirou diversos artistas plásticos brasileiros.

            Rubens Gerchman, Cláudio Tozzi, Djanira, Ziraldo, Aldemir Martins, Rebolo – que foi jogador profissional – e os artistas naïfs Dalvan e Ozias são alguns dos que se debruçaram sobre o tema que tem, pelo menos, dois quadros inesquecíveis: Futebol, de Portinari, e Futebol I, de José Roberto Aguilar.

            Pode-se somar a essa lista o trabalho do pintor Manoel Francisco Lopes de Faria. Nascido em Joaquim Felício, Minas Gerais, em 22 de março de 1943, ele mostra o futebol de uma maneira muito peculiar, exaltando equipes, lances e gols que marcaram época dos maiores ídolos de todas as torcidas.

            Formado na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, Faria trabalha como técnico de uma escolinha de futebol, esporte que acompanha desde os sete anos. Dessa paixão surge um trabalho diferenciado, em que as cenas são mostradas o mais próximo possível do real.

Os momentos transportados para a tela, ao serem verídicos, são tratados com extremo cuidado e detalhe – e algumas pitadas de humor –, numa tentativa de que o espectador, ao ver o quadro, lembre automaticamente do instante enfocado pelo artista. Para isso, os nomes dos jogadores são geralmente colocados junto aos desenhos das cenas, ampliando essa idéia documental.

            As dinâmicas e irrefreáveis paixões do futebol – e do universo que o cerca, como a torcida – surgem nas imagens de Faria, numa reunião de sentimentos que contagia. O chute ou a cabeçada certeira e o instante do gol que libera o grito preso na garganta dos espectadores são as energias expostas nos quadros, sejam eles momentos históricos do futebol mundial, como o milésimo gol de Pelé, ou conquistas de campeonatos regionais de equipes cariocas, paulistas ou mineiras.

            O estilo pictórico de Faria, nessas telas sobre futebol, aproxima-se muito do naïf, seja pelo caráter popular do tema ou pela forma como é construída a cena, geralmente com cores quentes e repletas de vibração. O espectador é transportado para o campo, vendo imortalizadas, na telas, imagens que despertaram a sua paixão.

            Mesmo quando não cria suas já tradicionais imagens de futebol, ao mostrar, por exemplo, pessoas e trens, num delicado pontilhismo, Faria revela habilidade ao retratar emoções, tanto coletivas como individuais. Seu ponto forte está justamente em trazer às telas detalhes cotidianos, como um jogo de futebol, com habilidade pictórica e sinceridade.

            José Lins do Rego dizia que, ao assistir um jogo de futebol, “vejo e escuto o povo em plena criação”. Podemos complementar com o pensamento do cronista Sérgio Porto (1923-1968), que dizia que, “no futebol, a cabeça é o terceiro pé”. No mundo artístico de Manoel Francisco Lopes de Faria, a sua criatividade e paixão pelo esporte mais popular do País são as habilidades que lhe permitem realizar pictóricos gols de placa.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA – Seção Brasil) e é autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora UNESP).

 

 

 

 

 

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"Milésimo gol de Pelé"
acrílica sobre tela
35x15 cm

s/data

Manoel Francisco Lopes de Faria

 

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