Lú
Terra
Devoção ao
nanquim
Corante
preto,
originário da China há
mais de
dois
mil
anos,
preparado com
negro-de-fumo
(pó-de-sapato)
coloidal
e
empregado
especialmente
para
desenhos
e
aquarelas,
o nanquim é constituído de nanopartículas de
carvão
suspensas em uma solução aquosa.
Essa
descrição pode
parecer
fria,
mas é
necessária
para
conhecer a
matéria-prima de Lú
Terra,
artista
plástica
que tem no
nanquim
seu
principal
meio de
expressão. É
por
intermédio dele
que se comunica
com o
mundo, desenvolvendo uma
obra
que tem diversas
facetas.
Há os
desenhos de
imaginação,
definidos
pela
artista
como sendo de
cunho
surrealista. É,
porém, na
reprodução de
cenas clássicas de
grandes
filmes, seja os de
Charles Chaplin
ou 2001:
Odisséia no
espaço, de Stanley Kubrick, e,
principalmente, de
suas
fotos
ou de
fotógrafos
amigos
que a
artista desenvolve boa
parte de
sua
atuação.
Existe na
sua
poética uma
devoção
pelo
nanquim.
Geralmente utiliza
apenas
preto e
branco,
mas, às
vezes coloca
detalhes
em
cor.
Isso
demanda o acurado
processo de
decidir o
que
deseja
valorizar. É
justamente na
seleção das
imagens
que
leva
para o
nanquim e na cuidadosa
realização
que o
trabalho de Lú
Terra se concretiza.
Oscar
D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).