Luiza Urtado
A poética das
cortinas
Quando se
pensa numa
cortina,
ela pode
evocar as
mais diversas
analogias,
principalmente as
ligadas
com o
ato de
cobrir e
descobrir
realidades e
desvendar
segredos.
Elas têm o
poder de
transformar,
em
questão de
segundos, o velado
em
explícito
As
obras de Luiza Urtado caminham nesse
sentido
pela
exploração
técnica e
plástica desse
símbolo e de
suas
conotações. A
partir de
fotografias,
gravuras e
impressões a
partir de uma
placa de
gesso, chegou à
serigrafia
como
forma de
expressar as
texturas e
movimentos do
pano de uma
cortina.
O
mais
surpreendente,
porém, está na
forma de
mostrar as
obras. Uma transmite ao
fundo
sombras, estabelecendo a
atmosfera de
sugestões e de
delicadeza. A
outra
trabalha
com
pedaços de
tecido de
cortina, gerando
um
diálogo
rico
entre
aquilo
que é
utilitário no
mundo
que consideramos
real e
aquilo
que
ele pode
ser no
imaginário.
A
ambigüidade dessas
impressões dá às
cortinas
plásticas de Luiza Urtado
extrema fluidez, num
clima de
mistério e
sedução
visual. O
conjunto
vale
pela
maneira
como o
tema é
desenvolvido
sem se
perder no discursivo,
mas
com
intensa
pesquisa
visual e
montagem
que valoriza as
sutilezas propostas
pela
artista.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP,
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção
Brasil).