por Oscar D'Ambrosio


 

 


Luís Mora

 

Irônicos personagens

 

Saber observar a realidade circundante é um dos grandes méritos de um artista plástico. Isso significa desenvolver a sensibilidade de captar expressões e gestos das pessoas. A forma de transportar esse material vasto e riquíssimo para a escultura é o que diferencia o trabalho de Luís Mora.

Há nele o poder de levar caricaturas e visões bem-humoradas e, ao mesmo tempo, com um pouquinho de amargura, do desenho para a escultura. Nessa jornada do bidimensional para o tridimensional, são obtidas imagens que parecem ter vida, não pela sua fidelidade ao chamado real, mas pela forma como transmitem humanidade.

O artista, que também cria jogos de xadrez diferenciados, estuda cada nova peça como uma maneira de expressar seu sentimento perante um mundo que pede uma visão crítica apesar de se viver numa época em que a passividade e o conformismo predominam.

As modelagens que faz em terracota obrigam a refletir sobre o mundo à nossa volta. Cada peça é, de fato, um personagem, criado dentro de um mesmo padrão estético, com valorização das linhas, mas com um olhar irônico e crítico, que desafia o status quo justamente pelo poder de fazer rir, mas não de gargalhar.

Luís Mora cria homens e mulheres que dialogam com o observador. Cada rosto é, assim, mais do que uma figura. Transmite um sentimento perante o ato de viver, com suas mazelas, injustiças, qualidades e, acima de tudo, certeza de que a arte ainda é uma das melhores maneiras de questionar com inteligência a realidade.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Arte da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 
 

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João dos Santos Silva

terracota - 2005

Luís Mora

 

 

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