por Oscar D'Ambrosio


 

 


Luis Bayón

 

            Conquista do espaço

 

            O diálogo do escultor com a sua arte está marcado pela incessante busca de meios de explorar o espaço, entendo-se este como um universo tridimensional, em que o convite ao público é sempre o de uma leitura atenta, que obrigue cada indivíduo a girar em torno de um pedestal e buscar encantamento em 360º de cada peça.

            Não se trata de uma tarefa fácil e nem de uma regra de criação, talvez apenas de um destino, pois o volume dá à escultura a sua base primordial, a fundação de onde é possível construir uma sólida casa plástica, menos afeita a ruir com as intempéries ou as movimentações do terreno.

            Nascido em Barcelona, Espanha, em 1948, mudou-se, com os pais, para o Brasil, aos 10 anos, e foi adquirindo, ao longo da carreira ampla vivência artística nos dois países, num processo que resultou no trabalho com diversos materiais, como rocha, metal, ferro, madeira e latão.

            Entre os assuntos, surgem elementos mitológicos, alguns egípcios, além de diversas alusões à sexualidade, às vezes com a incorporação de elementos, como um piercing ou um cadeado. No entanto, o trabalho plástico desenvolvido pelo artista permite que a leitura de suas obras não fique restrita à matéria enfocada.

            É possível observar desenvoltura como a verticalidade, realizada em nome de uma linguagem plástica que remete aos totens, referência importante quando se pensa em boa parte da escultura contemporânea. A conquista do espaço ganha aí a dimensão simbólica de saber lidar com variados elementos materiais para atingir um outro patamar: o da abstração, que exige, do artista e do público, um encanto com formas e volumes.

            Quando as estruturas mentais plásticas são colocadas a serviço de idéias, a escultura cresce em função de uma exploração do que pode e deve ser feito com o aço, o latão, o ferro pintado ou a madeira. Surge assim uma profícua tensão entre o material e a mão de Bayón.

            Peças como Acoplamento ou Excêntrica apresentam o que o artista catalão oferece em termos de manter uma visão artística própria, diferenciada, com dinâmica. Isso significa retirar aquilo que cada material tem de melhor, mas sem deixar de respeitá-lo em suas características intrínsecas.

            A arte de esculpir carrega em si justamente a ambigüidade de exigir domínio de um suporte que, ao mesmo tempo, não pode ser subjugado à força. Ele precisa caminhar ao lado do artista, numa parceria contínua, que vai se aprofundando ao longo dos anos. Saber quando uma peça pede para ser mexida ou quando ela solicita ser deixada em silêncio constitui um desafio aprendido pela técnica e pela experiência.

            Luis Bayón traz em sua escultura a sabedoria do construtor. Domina a composição e sabe como construir os fundamentos de cada um de seus trabalhos. Principalmente naqueles menos figurativos, estabelece-se um processo de diálogo entre as linhas e elementos constitutivos, com o uso de diagonais, num exercício dos  mais ricos em termos de conquista do espaço, universo, por essência, de trabalho do escultor em seu afã de representar o mundo e conversar com ele por intermédio dos mais variados materiais.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (AICA-Seção Brasil).

 

 
 

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Acoplamento
78x31x30 cm - mármore branco/negro - sem data

Luis Bayón

 

 

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