por Oscar D'Ambrosio


 

 


Lucia Buccini

Em Busca do Paraíso

Será que o Paraíso existe? A pergunta, que permite divagações filosóficas e reflexões metafísicas, encontra, na pintura de Lucia Buccini, uma resposta positiva. Suas pinturas revelam um mundo idílico, inspirado nas paisagens do interior mineiro.

Os quadros da artista mineira apresentam intensa luminosidade e adotam uma perspectiva ampla. O espectador tem geralmente a sensação de que está no alto de um morro, observando uma paisagem paradisíaca, um mundo maravilhoso em que as colinas se destacam ao fundo, servindo de moldura a rios e lagos e figuras humanas de reduzidas proporções.

Lavadeiras junto a um rio, por exemplo, surgem em seu árduo trabalho diário, mas é impossível vislumbrar alguma forma de sofrimento. A tarefa é realizada num ambiente aprazível em que parece não haver pecados ou perigos. O carro de boi vai lentamente pela estrada numa atmosfera em que o mundo parece condenado à felicidade eterna.

O movimento de um trenzinho mineiro com sua fumaça branca encantadora ou a espera da passagem de um deles em uma pequena cidade do interior, temas aparentemente banais, ganham uma dimensão bucólica contagiante. As linhas férreas se perdem no horizonte entre colinas verdes imaculadas.

Quando a água aparece, surge parada em lagos ou rios pacíficos, onde há pequenas praias em que pescadores parecem ganhar seu sustento sem emitir uma gota de suor. Os seres humanos de Buccini se integram à natureza com harmonia, em cenas que evocam um Paraíso perdido que sonhamos continuamente reencontrar.

Campos de trigais, plantações e colheitas, a natureza, enfim, surge de uma maneira equilibrada. Nascida em Belo Horizonte em 1944, a pintora, radicada em São Paulo desde 1978, mostra também colheitas de flores em que as cores vivas predominam, transmitindo alegria, numa autêntica terapia visual. Seus quadros são um antídoto contra o estresse da cidade grande e apontam que é possível, em algum espaço utópico, um lugar pleno de felicidade.

Há até campos de várzea nos quadros de Buccini. Mas eles não tem agitação ou vibração. Parecem calmos e imersos em pleno sossego. O ritmo do futebol se mescla ao de uma paisagem que convida ao prazer estético e à contemplação. Até um grito de gol fica congelado pelo ambiente pacífico.

As telas que mostram casamentos em vilas também não apresentam explosões de alegria. Existe sim um domínio técnico surpreendente, que tem no amor ao detalhe sua principal característica. Nada ocorre em excesso, mas dentro de uma racionalidade desenvolvida a partir de um autodidatismo que se expressa pela sábia combinação de cores.

Graduada em Decoração de Interiores e em língua e literatura francesas (Aliança Francesa/ Universidade de Nancy), Buccini trabalhou como secretária executiva, mas o nome Lucia (derivado de lux = luz) começou a falar mais alto. A pintura de tons marcantes surgiu como ocupação paralela, porém, a partir de 1983, iniciou-se uma constante participação em salões e coletivas, que resultou, dez anos depois, numa dedicação total à arte.

Premiada na Suíça e com a experiência de ter dado workshops em escolas públicas do Estado da Geórgia, EUA, a pintora mineira encanta justamente pelas paisagens inesquecíveis e estilo inconfundível. Suas telas impactam pela delicadeza de composição, riqueza de detalhes e traços precisos. Tudo isso faz o habitante da metrópole ter uma certeza: o Paraíso existe. E está nas telas de Lucia Boccini.

Oscar D'Ambrosio

 

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