Luana Taylor
Compartilhando sensações
A produção
escultórica de Luana Taylor parte do universo das sensações. Além do
domínio técnico, há nela um princípio fundamental: o da mágica da
modelagem. É no instante em que coloca as mãos na argila que define o
que deve ser feito e como será desenvolvido.
As etapas
posteriores, que incluem todo o processo de fundição e acabamento, são
igualmente importantes, mas, para a artista, tratam-se de momento de
refinamento de um sentir tornado objeto, de um instante de emoção
corporificado em metal, eternizado no espaço.
O erotismo,
que acompanha a maioria de seus trabalhos, provém da fascinação com o
corpo feminino e da percepção de suas curvaturas e tensões no ato
sexual e em tudo que está antes e depois dele. Sentimentos de prazer e
abandono são assim articulados numa proposta de compartilhar
sensações.
A lassidão
de uma figura isolada, sem o parceiro, portanto, reúne a sensualidade
própria de uma satisfação gerada pelo ato de imaginar o que está
sutilmente velado e sugerido. O homem ausente torna-se, assim,
onipresente pelo potencial de gerar prazer na figura feminina e no
olhar do observador.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pela Unesp, integra a Associação
Internacional de Críticos de Artes (AICA-Seção Brasil