Lourdes Collina
O sábio uso do
azul
Cada
artista
plástico
guarda
em
si
um
enorme
mistério.
Não
basta
pesquisar o
seu
trabalho
ou
conhecer a
sua
biografia. É
essencial
olhar as
obras
com uma
mente
aberta,
pois a
educação
visual e o
processo de
cada
criador é uma
espécie de
agradável guardado a
sete
chaves e, ao
mesmo
tempo, escancarado
em
cada
composição.
Paulistana,
nascida
em 1950 e radicada
em
Santos, SP,
desde 1960, Lourdes Collina domina várias
técnicas. Vai do
tridimensional da
escultura ao bidimensional da
aquarela, do
pastel e da
pintura
sobre
tela.
Geralmente
dentro de uma
linha figurativa,
seu
pensamento se
torna
particularmente
expressivo ao
lidar
com
atmosferas.
Isso se evidencia
com
figuras humanas
postas
dentro de variados
cenários. É na
interação
entre as
pessoas e o
ambiente
que as
cerca
que a
artista parece
encontrar o
que há de
melhor
dentro de
si. Nesse
aspecto, uma
tela
como As angolanas é paradigmática.
Temos nessa
obra
aquilo
que
torna
alguns
artistas
especiais,
que é
encontrar o
tom
que equilibra a
habilidade do
fazer
com a
capacidade de se
comunicar.
Não se
trata do
tema
exótico
ou diferenciado,
mas da
construção de uma
linguagem
entre
cores e
pinceladas
que estabelece
um
conceito.
O
uso do
azul é uma
característica
bastante
especial de Lourdes Collina.
Muito
mais do
que uma
mera
expressão da
cor do
céu, trata-se de uma
sábia
maneira utilizada
para
mostrar a
pequenez do
indivíduo num
mundo
em
que os
egos inflados –
que a
arte pode
conter – ilustram a
decadência de uma
civilização.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp,
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção
Brasil).