por Oscar D'Ambrosio


 

 


Lorena Hollander

 

            Unidade plástica

 

            Uma das principais características da contemporaneidade é o diálogo entre distintas formas de expressão. Não se trata de uma novidade, mas do aprofundamento de uma tendência, na qual a conversa entre pintura e arquitetura ou a mescla de técnicas se torna cada vez mais comum.

            A exposição Unity, de Lorena Hollander, no IQ Gallery, em São Paulo, SP, em setembro de 2008, reúne digigrafias e tem como mote a faixa homônima, composta pela própria artista, para o Cd Obviously Clear, da banda Diafanes, que ela integra como cantora  e tocando guitarra, koto, um intrumento de corda japonês e percussão.

            O fato de ela se valer da digigrafia merece um comentário, porque essa técnica parte de um desenho, pintura, fotografia ou colagem que é digitalizado, manipulado em um programa para tratamento de imagens e depois impresso. No presente caso, o uso de backlight contribui para o resultado, pois a luz que surge por trás delas as torna mais apropriadas para ambientes mais escuros e contribui para que se tenha a impressão que a luminosidade emana de seu interior.

            Responsável pelos aspectos visuais que envolvem a banda, na exposição, as imagens mostradas estão permeadas pelos mais diversos elementos, a maioria de poderoso valor simbólico, como a cruz. No conjunto, porém, predomina o cotidiano, com a presença de uma caneta, relógio, chave, salto alto, dinheiro, melancia, corpos femininos e baldes de tinta.

            Surge assim uma espécie de diário íntimo visual que ultrapassa a exposição em si mesma e remonta não só a atividade da banda, como ocorre com as cordas dos instrumentos musicais, mas remete ao universo mais amplo em que a artista se insere, principalmente no que diz respeito à construção de quebra-cabeças visuais.

            O conjunto dos trabalhos supera – e muito – a ilustração de uma música de uma banda. Ele introduz o observador num outro universo, o das artes visuais propriamente ditas, onde a maneira de dizer é mais importante do que aquilo que é dito e onde a forma de compor as imagens já fala por si mesma.

            A forma de lidar com os distintos elementos citados aponta para alguém que conhece as formas e as suas relações internas e externas, sendo capaz de retirar delas o que têm de melhor, numa trajetória que se desenha promissora. Nesse aspecto, a artista plástica Lorena Hollander fala visualmente mais alto. Fica registrado o desejo de que ela não seja superada pelos instrumentos, canções e clipes.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

           

 

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  Storm
digigrafia 50 x 50 cm 2007

Lorena Hollander

 

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