por Oscar D'Ambrosio


 

 


Lombas

 

            A arte do encantamento

 

            O dramaturgo Montherlant (1896-1972) dizia que “Não se deve conceder a própria confiança a alguém que não sorri nunca”. A máxima vale muito para a personalidade e a arte de Laurindo Lombas, artista primitivista nascido em Gália, SP, em 1940, e radicado em Osasco, SP.

            O seu trabalho retrata justamente a filosofia do autor francês, pois há nela um grande respeito pelo ser humano, visto sempre de maneira delicada e poética. O artista coloca assim em evidência o seu amor por cada ser humano com o mesmo carinho que parece contemplar a vida.

            Na tela Mulheres girafas, por exemplo, coloca três figuras do sexo feminino que utilizam no pescoço adornos que fazem com que alonguem os pescoços. A marca cultural, porém, não é utilizada para um estudo antropológico ou etnográfico, mas para jogar plasticamente com massas de cores.

            O fundo tem um azul celeste infinito, enquanto as figuras, em vermelho, azul esverdeado e azul de tonalidade mais forte, contemplam de frente o espectador, com seus olhos lânguidos, rostos morenos e cabelos negros compridos. Muito mais que meras imagens, encontram-se neste trabalho diálogos entre estratégias de composição, na qual os dois brincos e os três botões dourados de cada mulher enfatizam as cores do conjunto.

            A tela Os visitantes da lagoa azul, por sua vez, apresenta outras características fundamentais da obra de Lombas, como o uso de uma certa textura na composição das copas de suas árvores e, principalmente, a utilização do verde em várias tonalidades, propiciando, no contato com o amarelo, um resultado estético diferenciado.

            Seja no trabalho com imagens de pessoas ou de paisagens, Lombas revela o apreço pela condição de estar vivo. Consegue assim a empatia do observador desde o primeiro momento, pois cria ambientes paradisíacos nos quais predomina o sentimento de que a existência humana deve ser valorizada.

            Esse sentimento faz com que Lombas mantenha um sorriso permanente em seus lábios e isso se reflete nas cenas rurais que leva para as telas. Céus de amarelo intenso, montanhas compondo a paisagem, pequenas e delicadas figuras de pessoas e numerosas árvores e flores mesclam-se, às vezes, com coloridos perus que se confundem com a vegetação.

            Para Lombas, a arte surge como a expressão feliz do sentimento de estar no mundo. Cada tela é um mergulho nesse estado de devaneio, expresso com pinceladas suaves e bastante pessoais, denunciando um estilo marcado pelo uso salpicado do verde e amarelo para compor um universo do qual todos podem se orgulhar de participar.  

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor de Contando a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

 

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Os visitantes da Lagoa Azul

óleo sobre tela - 55 x 46 cm - 2002

Lombas

 

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