A
Imigração Japonesa no Brasil
Uma
saga de 100
anos
João G.
Machado
Oscar D’Ambrosio
O
Desafio da
Imigração
Conhecer o
outro é
um
desafio
quase
inimaginável.
Saber
quem é o
indivíduo
próximo a
nós,
entender o recorte
social ao
qual
ele pode
pertencer e a
sua
transcendência
como
alguém
semelhante a
nós
por
aquilo
que
nos aproxima e, ao
mesmo
tempo,
nos diferencia, é uma
prática
constante de
sensibilidade,
inteligência e
ética. É
sobre
esse
difícil
exercício
que
fala
este
livro,
que comemora o
centenário da
imigração japonesa no Brasil.
De
um
lado, o Japão, (em
japonês, Nippon
ou Nihon,
que significa, numa
tradução
literal,
origem do
sol
ou
terra do
sol
nascente). Trata-se
hoje do
país
que tem a
segunda
maior
economia do
mundo
por
Produto
Interno
Bruto
nominal, formado
por
um
arquipélago
com uma
população de
pouco
mais de 127
milhões de
pessoas – o
décimo
país
mais
populoso do
mundo –, distribuídas
em 377.873
quilômetros
quadrados (23
vezes
menor
que a
área
brasileira),
que inclui a
Região Metropolitana de Tóquio, a
maior
concentração
urbana do
mundo,
com
cerca de 30
milhões de
habitantes.
Do
outro, o Brasil,
com a
quinta
maior
população –
cerca de 186
milhões de
pessoas – e a
quinta
maior
área do
mundo, de 8.514.876
quilômetros
quadrados,
embora
com
baixa
densidade populacional,
já
que a
maioria da
população se concentra no
litoral,
com
enormes
vazios demográficos no
interior. E há
ainda os 20% da
biodiversidade mundial,
concentrada na
Floresta
Tropical
Amazônica,
com
seus 3,6
milhões de
quilômetros
quadrados.
As
aproximações começam
oficialmente
com a
chegada ao Brasil,
em 18 de
junho de 1908, no
Porto de
Santos, do
primeiro navio com imigrantes japoneses, o Kasato Maru,
que trouxe 165 famílias para trabalhar nos cafezais do Oeste paulista.
Todavia, esse marco histórico não dá conta do imaginário que existia
mesmo antes da embarcação chegar nem dos seus desdobramentos futuros.
Este
livro traz à
discussão
pontes e
elos
entre Brasil e Japão, levando
em
conta
alguns
princípios
estéticos
que norteiam o
país
oriental
desde os
seus
primórdios: miyabi (elegância
refinada),
mono no aware (consciência
da
transcendência de
tudo
que somos e daquilo
que
nos
cerca), wabi (prazer da
tranqüilidade) e sabi (simplicidade
elegante).
A
síntese desses
princípios,
grosso
modo, estaria na
configuração de
um
mundo de
harmonia e
serenidade. Ao lançarmos os
olhos
sobre o Japão, selecionamos e trazemos
fragmentos daquilo
que
lá está e
que
nos atrai de alguma
maneira. Recortamos, decompomos e montamos
um
jogo de
relações e
influências. É disso
que este livro trata.