Liane Iwahashi
A
conquista do espaço
Quando se
pensa nas artes plásticas, é comum que se cobre do criador o
desenvolvimento de um determinado assunto. Muitas vezes, ele se
torna mais importante do que a própria técnica desenvolvida e
passa-se a não se ver mais como se pinta ou se esculpe, pois a
discussão gira apenas em torno do tema enfocado
Liane
Iwahashi, nascida em 1985, sabe como fugir desse risco. Suas raízes
visuais estão no avô, Masato Misawa (1920 -1976), imigrante japonês
que se dedicou à pintura e à escultura após ficar paralítico num
acidente, e à mãe, formada em artes plásticas.
O
interesse pela arte vem de casa e, acima de tudo, de uma necessidade
de se expressar perante o mundo. Significativamente, embora tenha
passado, em seus estudos pela arte dita acadêmica e pelo
abstracionismo, parece ter encontrado a sua linguagem ao mergulhar,
com fotos, xilogravuras e pinturas na Avenida Paulista, coração da
metrópole paulistana.
O fato de
residir lá perto e de ter trabalhado exatamente ali, na equipe que
elabora a Enciclopédia de Artes Visuais do Itaú Cultural, forneceu
um manancial imagético que não podia passar despercebido. Sua
resposta plástica, marcada pelo uso do espaço em branco do suporte e
pelas formas verticalizadas, amadurece quando a técnica é colocada a
serviço do desenvolvimento do assunto.
As antenas
de emissoras de rádio e televisão da avenida deixam de ser
representações figurativas para jogos de linhas em que o côncavo e o
convexo interagem em nome de uma composição auxiliada pela cor que
expressa o movimento interno de uma busca pela perfeição a toda
prova e instante.
Isso
significa a vontade íntima de explorar o próprio potencial até o
limite. Existe, nesse processo, a cobrança de captar a essência da
Avenida Paulista. E ela está no traço progressivamente nervoso e na
criação de fundos que potencializem essas formas para que o espaço
retratado seja cada vez menos importante e o fascínio do observador
se dê, cada vez mais, não pelo logradouro retratado, mas pela
maneira como Liane o conquista e interpreta em suas telas e
imagens.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da
UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (AICA
– Seção Brasil)