Kazuko
Realismo
com ousadia
Mais
importante do que se enquadrara num determinado estilo, a obra
de qualquer artista plástico, para ser valorizada, precisa
encontrar uma linguagem própria. Pintores e pintoras começam a
se destacar no momento em que oferecem ao observador de seus
trabalhos propostas estéticas diferenciadoras.
Kazuko
Shimizu, que assina as telas com o primeiro nome, é um exemplo
dessa busca constante por uma linguagem que permita que sua obra
seja individualizada pelo público como portadora de uma visão
de mundo. Seja em trabalhos mais próximos da pintura moderna,
retratos ou paisagens, há a busca da conquista por um espaço
no competitivo mundo das artes plásticas.
Nascida
em Recife, PE, em 15 de junho de 1967, mas radicada em São
Paulo, Capital, Kazuko, desde criança, mostrava a sua aptidão
para as artes plásticas. Após muita leitura e pesquisa,
buscou, com Velf Weingrill, a partir de 1992, aulas, no horário
de almoço, para aprimorar a sua técnica em óleo sobre tela.
Nessa
época, trabalhava num escritório de engenharia e, certo dia,
uma pessoa que foi até lá para ensiná-la a usar o computador
perguntou de quem eram os quadros que estavam no local. Quando
soube que eram de Kazuko, a aconselhou a se dedicar inteiramente
à arte.
Foi
o que ela fez. Teve aulas com mestres como Neusa Moraes e Meires
de Oliveira, além de conhecer, no ateliê de Velf, pintores do
gabarito de Luís Pinto, Carvalho de Castro e Mouro. Todo esse
manancial de informações a levou a trilhar o seu próprio
caminho estético, que chama de “Sensorial”, numa busca de
valorização do “sentir”.
Nomenclaturas
à parte, as telas de Kazuko apresentam vertentes bem
interessantes. A mais original é aquela em que deixa a imaginação
fluir, criando imagens bem soltas, em quadros nos quais corpos
nus se abraçam rodeados por grafismos coloridos próximos à
arte contemporânea, com evocações de formas e cores à
Mondrian e Miró.
Corpos
nus também ganham relevância quando colocados numa atmosfera
rodeada de cores fortes, principalmente vermelhos e amarelos,
que indiciam a paixão da artista pelo trabalho arduamente
desenvolvido, já que chegar a resultados aparentemente mais
simples é sempre conseqüência de anos de pesquisa estética.
Em
relação aos retratos, merece referência especial a tela que
mostra, com um belo fundo em tonalidades de amarelo, um casal
japonês. A técnica bem desenvolvida da representação de
figuras humanas ganha então uma dimensão quase mística, pois
o homem e a mulher corporificam, de certo modo, toda a tradição
do país do sol nascente.
Há
ainda interessantes exercícios plásticos, por exemplo, com uma
cabeça de cavalo, tratada de maneira realista, colocada no
centro da tela, com fundos contemporâneos. A imagem central,
por exemplo, é colocada dentro de uma figura geométrica
estilizada em amarelo, rodeada por uma outra cor. Assim, a arte
mais figurativa compõe um todo ao lado de um jogo lúdico de
experimentações cromáticas.
Moderna
e realista, a obra de Kazuko ganha seu espaço justamente pela
habilidade em conciliar o que a arte contemporânea e acadêmica
tem de melhor: o desenvolvimento do talento do artista em busca
de respostas para indagações existenciais profundas. Essa
motivação leva a artista a suas melhores realizações, sempre
pronta a ousar, se necessário, mas sem deixar de lado o
conhecimento técnico que os mestres do passado e do presente
oferecem.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de
Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos
de Arte (AICA-Seção Brasil).