por Oscar D'Ambrosio


 

 


Kazuko

 

Realismo com ousadia

 

Mais importante do que se enquadrara num determinado estilo, a obra de qualquer artista plástico, para ser valorizada, precisa encontrar uma linguagem própria. Pintores e pintoras começam a se destacar no momento em que oferecem ao observador de seus trabalhos propostas estéticas diferenciadoras.

Kazuko Shimizu, que assina as telas com o primeiro nome, é um exemplo dessa busca constante por uma linguagem que permita que sua obra seja individualizada pelo público como portadora de uma visão de mundo. Seja em trabalhos mais próximos da pintura moderna, retratos ou paisagens, há a busca da conquista por um espaço no competitivo mundo das artes plásticas.

Nascida em Recife, PE, em 15 de junho de 1967, mas radicada em São Paulo, Capital, Kazuko, desde criança, mostrava a sua aptidão para as artes plásticas. Após muita leitura e pesquisa, buscou, com Velf Weingrill, a partir de 1992, aulas, no horário de almoço, para aprimorar a sua técnica em óleo sobre tela.

Nessa época, trabalhava num escritório de engenharia e, certo dia, uma pessoa que foi até lá para ensiná-la a usar o computador perguntou de quem eram os quadros que estavam no local. Quando soube que eram de Kazuko, a aconselhou a se dedicar inteiramente à arte.

Foi o que ela fez. Teve aulas com mestres como Neusa Moraes e Meires de Oliveira, além de conhecer, no ateliê de Velf, pintores do gabarito de Luís Pinto, Carvalho de Castro e Mouro. Todo esse manancial de informações a levou a trilhar o seu próprio caminho estético, que chama de “Sensorial”, numa busca de valorização do “sentir”.

Nomenclaturas à parte, as telas de Kazuko apresentam vertentes bem interessantes. A mais original é aquela em que deixa a imaginação fluir, criando imagens bem soltas, em quadros nos quais corpos nus se abraçam rodeados por grafismos coloridos próximos à arte contemporânea, com evocações de formas e cores à Mondrian e Miró.

Corpos nus também ganham relevância quando colocados numa atmosfera rodeada de cores fortes, principalmente vermelhos e amarelos, que indiciam a paixão da artista pelo trabalho arduamente desenvolvido, já que chegar a resultados aparentemente mais simples é sempre conseqüência de anos de pesquisa estética.

Em relação aos retratos, merece referência especial a tela que mostra, com um belo fundo em tonalidades de amarelo, um casal japonês. A técnica bem desenvolvida da representação de figuras humanas ganha então uma dimensão quase mística, pois o homem e a mulher corporificam, de certo modo, toda a tradição do país do sol nascente.

Há ainda interessantes exercícios plásticos, por exemplo, com uma cabeça de cavalo, tratada de maneira realista, colocada no centro da tela, com fundos contemporâneos. A imagem central, por exemplo, é colocada dentro de uma figura geométrica estilizada em amarelo, rodeada por uma outra cor. Assim, a arte mais figurativa compõe um todo ao lado de um jogo lúdico de experimentações cromáticas.

Moderna e realista, a obra de Kazuko ganha seu espaço justamente pela habilidade em conciliar o que a arte contemporânea e acadêmica tem de melhor: o desenvolvimento do talento do artista em busca de respostas para indagações existenciais profundas. Essa motivação leva a artista a suas melhores realizações, sempre pronta a ousar, se necessário, mas sem deixar de lado o conhecimento técnico que os mestres do passado e do presente oferecem.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).

 
 

 

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Sedução
óleo sobre tela
1 m x 1m 2003

Kazuko

 

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