Julio Barreto
Além do graffiti e da
pornografia
Quando se observa o
conjunto de
trabalhos denominado Pornograffiti, de
Julio Barreto, obviamente
dois
termos vêm à
mente: a
pornografia e o graffiti.
São
dois
mundos
nos
quais o
artista
paulistano circula,
embora a
visão
que se pode
ter de
ambos,
perante o
seu
trabalho,
ganha
dimensões ampliadas.
A
questão da
sexualidade surge
como
manifestação de
desejos
que
todos têm e
que podem
bloquear das
mais variadas
formas. Nas
imagens de Barreto,
eles ganham
espaço e
força
visual, seja
por aparecem de
maneira
mais
explícita e
direta, seja
por surgirem
como
pano de
fundo de outras
imagens
que
são colocadas
em
primeiro
plano.
O graffiti faz
parte da
própria
formação do
artista.
Afinal, Alex Vallauri e Carlos Matuck
são duas
referências associadas ao
seu
nome,
com
atividades vinculadas à
arte
com
estêncil,
máscaras e
spray. As
imagens de uma “lambretinha” e do “Spirit
correndo”
que Barreto tornou
imortais pelas
ruas paulistanas o acompanham.
São
ícones de uma
diversidade de
manifestações
que inclui
séries
sobre
grupos de motociclistas,
imagens de
motocicletas,
tributos a
ídolos do rock,
principalmente Frank Zappa,
paisagens
marinhas
com
ênfase no
movimento das
ondas e uma
série
sobre cafezais e
seus
trabalhadores.
O
conjunto de
trabalhos Pornograffiti, no
entanto, reúne o
melhor dessas diversas
facetas.
Por
um
lado, estão algumas
importantes
imagens
que provém de
máscaras criadas
pelo
próprio Alex, num
amálgama de
cifrões,
tesouras,
taças,
relógios e
engrenagens
que funcionam
como
metáforas da
sexualidade.
Há
ainda
um
universo
muito
importante,
que é o da
predominância dos azuis e
amarelos, num
mundo marcado
pela
intensidade das
cores
chapadas, numa
forma de
diálogo
direto
com o
público. O
dinheiro, a
sedução e o
cerceamento
que rodeiam o
mundo do
sexo ganham
então uma
representação
plena de
vigor.
Julio Barreto
está
muito
além da
pornografia
ou do graffiti.
Seu
trabalho
caminha
cada
vez
mais
por
novas
direções. A
amplidão de
assuntos e o
aprimoramento
técnico o conduzem
por
um
progressivo percurso de enriquecimento
visual e de
inquietação
que se cristaliza
em
séries específicas, caracterizadas pela
atenção e o
aprimoramento do
fazer.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).