por Oscar D'Ambrosio


 

 


Julio Barreto

 

            Além do graffiti e da pornografia         

 

            Quando se observa o conjunto de trabalhos denominado Pornograffiti, de Julio Barreto, obviamente dois termos vêm à mente: a pornografia e o graffiti. São dois mundos nos quais o artista paulistano circula, embora a visão que se pode ter de ambos, perante o seu trabalho, ganha dimensões ampliadas.

            A questão da sexualidade surge como manifestação de desejos que todos têm e que podem bloquear das mais variadas formas. Nas imagens de Barreto, eles ganham espaço e força visual, seja por aparecem de maneira mais explícita e direta, seja por surgirem como pano de fundo de outras imagens que são colocadas em primeiro plano.

            O graffiti faz parte da própria formação do artista. Afinal, Alex Vallauri e Carlos Matuck são duas referências associadas ao seu nome, com atividades vinculadas à arte com estêncil, máscaras e spray. As imagens de uma “lambretinha” e do “Spirit correndo” que Barreto tornou imortais pelas ruas paulistanas o acompanham.

            São ícones de uma diversidade de manifestações que inclui séries sobre grupos de motociclistas, imagens de motocicletas, tributos a ídolos do rock, principalmente Frank Zappa, paisagens marinhas com ênfase no movimento das ondas e uma série sobre cafezais e seus trabalhadores.

            O conjunto de trabalhos Pornograffiti, no entanto, reúne o melhor dessas diversas facetas. Por um lado, estão algumas importantes imagens que provém de máscaras criadas pelo próprio Alex, num amálgama de cifrões, tesouras, taças, relógios e engrenagens que funcionam como metáforas da sexualidade.

            Há ainda um universo muito importante, que é o da predominância dos azuis e amarelos, num mundo marcado pela intensidade das cores chapadas, numa forma de diálogo direto com o público. O dinheiro, a sedução e o cerceamento que rodeiam o mundo do sexo ganham então uma representação plena de vigor

            Julio Barreto está muito além da pornografia ou do graffiti. Seu trabalho caminha cada vez mais por novas direções. A amplidão de assuntos e o aprimoramento técnico o conduzem por um progressivo percurso de enriquecimento visual e de inquietação que se cristaliza em séries específicas, caracterizadas pela atenção e o aprimoramento do fazer.     

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

       

 

 

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 Lambretinha
Graffiti vários tamanhos 

Julio Barreto

 

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