Jotapê
A arte do retrato
Retratar é uma ciência, uma arte e
um desafio. Trata-se de um das práticas mais antigas da história da
pintura e um universo de possibilidades para quem começa a percorrer
esse mundo. A exposição que o artista plástico Jotapê realiza, em
2007, na Galeria Choque Cultural, em São Paulo, SP, retoma essa
tradição com muita liberdade.
Com sua juventude e desejo de desenhar, o
artista transforma uma sala da Galeria num autêntico estúdio.
Estão ali parte dos retratos de famosos que
realiza semanalmente para a coluna Em Cena, de Chris Mello, no Estado
de São Paulo. Desse conjunto, é possível extrair uma
característica fundamental de Jotapê: ele sabe ver.
O que pode parecer pouco é o primeiro grande
passo do artista plástico. O desenvolvimento desse senso de observação
caminha ao lado da prática cotidiana que depura a habilidade. Por
isso, quanto mais Jotapê se debruça sobre o próprio olhar, mais tende
a aprimorar o seu fazer.
Seja retratando os outros ou a si mesmo, o
artista, num desenho mais caricato ou de cunho um pouco mais realista,
consegue manter viva a tradição do retrato, que constitui no encanto
de captar estados de espírito por meio da imagem. Por isso, o
exercício da caricatura é tão desgastante e difícil.
Em várias técnicas, Jotapê exerce
seu ofício de retratista com duas qualidades essenciais: o bom humor e
a preservação da identidade, tanto do seu traço como do retratado.
Isso dá ao seu trabalho características próprias a serem desenvolvidas
num futuro próximo, desde que a prática do desenhar e do olhar sejam
enfatizadas sempre.
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes
Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação
Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).