por Oscar D'Ambrosio


 

 


José Pereira

 

            Um sentido para a vida

 

            O filósofo francês Voltaire (1694-1778) apontava que “uma coletânea de pensamentos é uma fantasia moral onde se encontram remédios para todos os males”. O mesmo se aplica, guardadas as devidas proporções, para as imagens criadas pelo pintor José Pereira, que proporciona, em suas telas, uma visão da realidade que espanta pela encantadora simplicidade e consistência pictórica.

            Seus trabalhos podem ser divididos em dois grandes grupos: há as obras voltadas para a representação de casarios e igrejas; e variadas criações relacionadas com o tema futebol. Em ambas, observa-se originalidade e uma poética própria, desenvolvida de maneira coerente.

            Os casarios constituem a moldura para cenas do cotidiano. As construções antigas surgem em lilás, roxo, vermelho, verde e amarelo. As calçadas são estreitas e as ruas apresentam paralelepípedos. Essa é a matéria-prima fundamental com a qual o José Pereira trabalha.

Ele não se limita, porém, aos elementos puramente concretos e físicos do cotidiano. As suas telas ganham riqueza por introduzir o elemento humano. Cada cena apresenta dezenas de pessoas nos mais diversos afazeres: caminhando despreocupadamente, vendendo ou comprando produtos, namorando, seduzindo e sendo seduzidas.

Ao combinar o colorido ímpar das casas antigas com a riqueza de detalhes das cenas urbanas, o artista consegue retratos bastante pessoais e cheios de vida e intensidade cromática, principalmente quando se debruça na criação de festas populares, como a do Divino Espírito Santo.

A mencionada utilização da cor está particularmente presente nas roupas das jovens de vestido colado. Elas esbanjam sensualidade e atraem a atenção pelos diversos locais em que são colocadas no quadro. É estabelecida uma atmosfera de alegria contagiante que leva o observador de uma tela a desejar conhecer outras do mesmo artista.

Um segundo universo criativo de José Pereira é o futebol. Ele representa cenas de jogos geralmente numa perspectiva aérea, o que permite transmitir boa parte dos elementos que cercam uma partida. Além dos jogadores, são mostrados, em diversas posições, o juiz, os bandeirinhas, os técnicos, a torcida e os fotógrafos sempre atentos.

A arquitetura do estádio não é esquecida. As telas mostram também os refletores, o placar, os anúncios, enfim, tudo aquilo que torna o futebol o esporte mais popular do mundo, talvez justamente pelo envolvimento obtido entre os atletas e a arquibancada, mediado pelos meios de comunicação e pela publicidade.

Seja nas imagens de futebol ou no estabelecimento de belas paisagens urbanas, a arte de José Pereira responde ao desafio proposto por Voltaire. A reunião de suas obras constitui um eficiente conjunto medicinal para combater males que afligem a sociedade moderna, como a ganância e a velocidade sem sentido. A pintura de José Pereira, em contrapartida, tem o seu próprio tempo: o do talento e da sensibilidade.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes pela Universidade Estadual Paulista, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

 

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Carro de boi 


acrílica sobre tela60 cm x 75 cm 2002

José Pereira

 

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