José
Gomes Mota
Rumo à abstração
Conta-se a história de
um artista plástico que, convicto de que fazer arte abstrata era
muito simples, tomou o pincel, olhou
a tela em branco e, possuído de um profundo vazio de idéias,
sentiu-se impossibilitado de criar. Pensando que se tratava de um
momento de falta de inspiração, decidiu abandonar a idéia.
Dias
depois, optou por enfrentar novamente o desafio. Tomou o pincel com
coragem, olhou os tubos de tinta, a paleta e lançou-se a
empreitada. Não passou dos primeiros traços. Percebeu então que a
autêntica arte abstrata – aquela feita com profundidade
existencial e impacto estético é tarefa para poucos.
Quem
está habituado a ver os cavalos, paisagens e figuras humanas do
artista plástico José Gomes Mota
vai se surpreender com seus trabalhos abstratos. Há neles
uma densa humanidade, obtida pela maneira como as cores são
dispostas. Estabelecendo conflitos de almas ou harmoniosas e plácidas
combinações.
A
experiência de Mota confirma o que grandes mestres do abstrato já
ensinaram há muito. Deixar de lado a figura não significa fazer
qualquer coisa, mas atingir a essência, o sublime da alma humana.
Para isso, o que importa não é a pesquisa de elementos concretos
ou abstratos em si mesmos, mas sim desenvolver técnicas e
procedimentos plenos de densidade existencial. Assim, um resultado
igualmente instigante, como ocorre nas pinturas abstratas de Mota,
vem à tona.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da
UNESP, campus de São Paulo, integra a Associação Internacional de
Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de
Contando a arte de Ranchinho
(Noovha América) e Os pincéis
de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora
Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).