J.A. – Jorge Azevedo
A liberdade
de criar
Dar-se a
liberdade de criar. Essa é o diferencial do artista plástico J.A. Sua
discussão central está na capacidade de construir, num misto de
imaginação com marteladas sobre o ferro, portões, grades, gradis,
bancos, cadeiras, luminárias, enfim, os mais variados objetos, que
mesclam o saber artístico com o utilitário.
Aliás, a
oposição entre esses dois fatores é fruto de um raciocínio elitista
que revelam algum desconhecimento da própria história da arte, já que
algumas das peças mais belas do barroco e do rococó europeu, por
exemplo, tinham uso tanto nas mesas de refeições da corte francesa
como nos rituais litúrgicos.
Jorge
Azevedo, conhecido como J.A., revela o seu talento pela forma como
desvenda o espaço. Isso é especialmente marcado nos portões, escadas e
diferentes tipos de corrimão. Não há neles as linhas retas rígidas do
pensamento clássico. Pelo contrário, seu reino é o das curvas e dos
entrelaçamentos, dos encontros e desencontros das linhas.
Tanto em
construções geométricas como no pensamento que surpreendentemente
rompe a previsibilidade do olhar, o artista trabalha com o ferro numa
concepção de diálogo com o material. Ele o respeita e o transforma,
moldando-o para atingir seus propósitos.
Cada
elaboração de uma peça tem como base a intuição aguçada e o
conhecimento técnico. É preciso saber o que fazer e como deve ser
feito num processo que não admite negativas. Ser livre significa não
conhecer fronteiras, pesquisando para ampliar os limites numa mescla
de talento, criatividade e perseverança.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp,
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção
Brasil).