por Oscar D'Ambrosio


 

 


Eduardo Schamó

 

            Jogos possíveis

 

            As pinturas de Eduardo Schamó são demonstrações de como uma das principais características da arte é o prazer que elas propiciam tanto no criador como no observador. Arquiteto argentino radicado no Brasil, o artista tem como principais características de seu trabalho o ludismo e a criatividade.

Suas obras não são feitas para ficar passivamente na parede em busca de um olhar contemplativo, mas ganham interesse justamente por exigir a participação de cada um que aceita entrar no jogo da arte. É o melhor desse processo é que as regras dessa mágica estética são livres.

Suas pinturas, preferencialmente em negro, branco ou tons terrosos, trabalham texturas e elementos geométricos de modo a construir desafios visuais. Formas retangulares e círculos são articulados em composições volumétricas em que sempre se faz presente a idéia de alternar a posição dos elementos.

            Quando o artista cria trípticos, por exemplo, dá a sua sugestão de montagem, mas está implícito nas regras do jogo que cada um pode remontar o conjunto de acordo com o seu gosto e prazer. A grande norma onipresente é que não há limite nas possibilidades interpretativas e de intervenção em cada trabalho.

            O jogo de possibilidades de Schamó inclui o processo de criação, a obra em si mesma e a recepção. O artista considera que a arte apenas funciona de fato quando o observador é mobilizado internamente. Ele só não pode ficar estático ou indiferente. Ninguém perde ou ganha. No jogo proposto, o prazer está em jogar.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pela Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil

 

 

 



 

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