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Janaina
Sabino
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O expressionismo
adocicado
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Um primeiro olhar nas telas de Janaina Sabino logo indica a
matéria-prima de seu trabalho. Há nelas uma forte influência da
arte primitiva africana, uma marcante presença feminina e traços
expressionistas revisitados em que a violência e a rebeldia
característica desse movimento se adocica, principalmente nas
figuras de mulheres.
Nascida em 17 de maio de 1977, Janaina desde os nove anos de idade
participava de concursos e pequenas exposições escolares. Seis
anos depois, ao ver Guernica e As senhoritas de Avignon, tela
considerada precursora do cubismo, sentiu o poder dos trabalhos do
mestre espanhol Pablo Picasso, um mago das tintas e da difícil
arte de desnudar almas com pincéis.
A perda do pai aos 16 anos, após ele ter entrado em coma em seus
braços, foi uma experiência traumática para a futura artista.
Talvez por isso a figura materna surge compensatória, forte, em
quadros como Carinhosa ou Família. As cabeças levemente
inclinadas para a frente, numa posição que conduz o olho do
observador a um movimento em direção ao útero materno.
A tela Sedução é um exemplo disso, pois a mulher que fita o
sedutor mulato de lábios carnudos e cabelo negro apresenta olhos
picassianos, amendoados e escuros como os da milenar arte
africana.Sua cabeça inclinada transmite uma idéia de certa
aceitação e submissão.
Inicialmente, Janaina pintava em azulejos, cartolinas e madeira
com pincéis de segunda mão. Atualmente, domina as técnicas da
tinta em tecido, óleo e acrílico. Autodidata em seu ofício,
apresenta um estilo próximo ao expressionismo no que diz respeito
ao trabalho com as formas, mas com uma delicadeza bastante
especial no que tange às situações tomadas como temática.
Formada em Letras pela Faculdade de Ciências e Letras da
Universidade Estadual Paulista (UNESP), câmpus de Assis, e
atualmente cursando pós-graduação na área de Multimeios na
Unicamp, em Campinas, SP, a artista consegue transformar
angústias e tensões pessoais e universais em imagens que
transmitem paz e harmonia.
Moradora de Assis desde a infância quando saiu de São Paulo com
os pais, a artista vem participando, desde 1987, de dezenas de
exposições individuais e coletivas, destacando-se a individual
na Galeria Baghavan, em Campinas, em 2000, e a Medalha de Prata,
no V Salão de Artes de Assis, no mesmo ano, pelas telas
Horizonte, Família e As meninas da Fernão Dias, cujo título
evoca as citadas donzelas de Picasso. Mesmo quando o tema da
sexualidade comparece, no entanto, não há agressividade, mas um
envolvente lirismo.
Janaina Sabino oferece em seu trabalho uma interessante mistura de
tendências. Há nelas um quê do vigor da arte primitiva africana
e um pouco das cores vibrantes do expressionismo alemão, ambos
suavizados com uma pitada de lirismo, que evoca os corpos
contorcidos e flutuantes das telas mais simbolistas de Marc
Chagall.
O resultado é um expressionismo adocicado. Telas como Carinhosa I
e II, Sedução e Família ilustram bem o trabalho de Janaina. Os
olhos e cabelos negros de suas figuras penetram fundo no
observador e o transportam a uma supra-realidade, na qual a
harmonia e a delicadeza parecem predominar. Assim, pelo talento no
manejo das formas e na abordagem dos temas, seus traços
expressionistas se adocicam e ganham um saboroso tempero nacional.
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Oscar D’Ambrosio é
jornalista, crítico de arte e autor de Os pincéis de Deus:
vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora UNESP).
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