Ivo Perelman
Entre o
impulso e a razão
O
talento de Ivo Perelman
como
saxofonista
dispensa
comentários. Os
elogios ao
seu
trabalho
são
superlativos e merecidos.
Sua
obra
plástica, no
entanto, é muitas
vezes atrelada a
esse
talento
como se fosse
um
apêndice,
não
um
mecanismo
autônomo de
expressão.
Suas
obras
em
gesso
sobre
tela
em
preto e
banco conquistam
pelo
menos
por
dois
fascínios
que se interpenetram: existe,
por
um
lado, a
questão do
impacto
visual das
manchas
sobre o
suporte; e,
por
outro,
embora
não
menos
importante, estão as
texturas
ora delicadas,
ora
mais espessas do
gesso.
O
conjunto
encanta
também
pela
representação
muito
próxima ao
universo
artístico
oriental, marcado
pelo
conceito de
que o
instante é
mais essencial do
que as
noções de
passado e
futuro; e
pela
reflexão permanente sobre a
presença e a
ausência de
cor
como o mais notável mecanismo da
pintura.
O
ritmo
que se observa nas
composições de Ivo Perelman é o de
alguém
que conhece o
espaço.
Encontra nele a
matéria-prima
que
lhe possibilita
dar
vazão ao
impulso de
um
processo
visual intuitivamente
caracterizado
pela
liberdade
expressiva no
que tange à
criatividade,
mas
racionalmente contido
pelo
rigor na
busca de uma
manifestação
cada
vez
mais
próxima da
essência. É nessa
união
entre o
excesso e a
razão
que a
obra do
artista cristaliza
seus
momentos
mais
significativos.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp,
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção
Brasil).