por Oscar D'Ambrosio


 

 


Interiores: Claudia de Toledo, Dani Noronha e Paula Ordonhes

 

            Há uma diferença de raciocínio visual entre a fotografia e o desenho. Na primeira, perante toda a realidade, quem está com a câmera na mão precisa escolher o que vai focar. Isso significa um exercício de subtração, ou seja, seleciona-se aquilo que a pessoa não quer que apareça no visor.

            Já no desenho, perante uma folha de papel em branco ou de uma outra cor, a prática é de soma. É preciso decidir o que se deseja colocar ali – não o que se vai retirar, num processo em que cada movimento constitui quase um retrato de uma alma, num exercício de verdade com o que se expressa, de modo mais ou menos inconsciente.

            Para Claudia de Toledo, colocar uma flor ou uma berinjela no papel representa um desafio no sentido duplo. Tanto pode ir pelo caminho da mancha ou da linha, embora o primeiro pareça oferecer um número maior de nuances para desenvolver uma pesquisa de visualização da realidade como um espaço em que a mescla de elementos plásticos, como o lápis de cor e detalhes em nanquim ou vice-versa. 

            Dani Noronha parece buscar, em suas explorações do espaço, uma liberdade cada vez maior e uma fluência na maneira de trazer para o papel certos objetos do universo da casa. Essa busca, às vezes influenciada pela idéia do “menos é mais” não pode tolher uma certa necessidade de ocupar as áreas, desde que isso contribua para a construção de regiões plásticas com expressão própria.

            Paula Ordonhes, em sua jornada pelo exercício do desenho,  prossegue em sua estética limpa, seja nas bem resolvidas fachadas arquitetônicas ou nas experimentações com objetos, como a roupa visível sobre uma cadeira invisível, num processo próximo ao da foto, de retirar pela concentração do foco em algum determinado elemento, aliado ainda com experimentações cromáticas pelo papel ou pelo instrumento usado.

            O grupo, nessa busca por soluções plásticas cada vez mais pessoais, enfrenta justamente o desafio de estabelecer um diálogo cada vez mais denso entre o interior de cada um e o do universo circundante. Nesse sentido, o assunto é o menos importante. A grande questão é solucionar os problemas que o desenho apresenta no exercício de colocar ou tirar elementos, dando a eles a dimensão plástica que a sensibilidade de cada um julga mais apropriado.               

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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