por Oscar D'Ambrosio


 

 



 

Ilsa Jacob Silva

 

            A monocromia dos fundos

 

            O fundo infinito negro, muito utilizado no Barroco, é uma forma da pintura trabalhar com os contrastes entre claros e escuros, e luzes e sombras. Nas telas da artista primitivista Ilsa Jacob Silva, os fundos infinitos monocromáticos também ganham as cores azul ou verde, ressaltando os objetos e as pessoas retratadas, em cenas geralmente vinculadas à cultura popular.

            Nascida em Aimorés, MG, próximo a Vitória, ES, em 15 de maio de 1939, Ilsa Jacob, falecida em 2007, veio para São Paulo, SP, nos finais dos anos 1960. Trabalhou em casas de família e em firmas. Nos anos 1970, teve a oportunidade de conhecer, no Embu das Artes, SP, o pintor João Cândido da Silva, que se tornou seu marido.

            Embora casada com um pintor que vinha de uma família de artistas, Ilsa não pensava em se tornar também uma pintora. A oportunidade surgiu em meados dos anos 1990, quando foi substituir o marido numa mostra coletiva de pintura ao vivo no Parque da Água Branca, em São Paulo, SP. O resultado foi tão positivo, que ela deu prosseguimento a essa carreira.

            Ilsa lembra que começou pintando flores num estilo primitivista, passando posteriormente a imagens de festas populares, algumas delas originárias da infância passada no interior de Minas Gerais. Nesse mundo de imagens, salta à vista o fundo dos quadros da artista, geralmente uniforme e monocromático, o que ressalta as figuras colocadas em primeiro plano.

            Seja o fundo azul de uma festa junina, o verde de um grupo de sambistas ou o negro de uma manifestação folclórica, esse recurso contribui para tornar a pintura de Ilsa diferenciada. Seus contornos são espessos e as pessoas pintadas, da raça negra, como ocorre, por exemplo com São Francisco de Assis, retratado com seus elementos simbólicos, como  natureza e os pássaros, mas com a alteração de sua cor.

            As telas de Ilsa retratam, portanto, o mundo popular de uma maneira peculiar. Ao contrário de alguns naïfs, que se perdem no momento de concentrar energias em uma imagem pelo amor excessivo ao detalhe, ela traz a cena que deseja mostrar ao primeiro plano, colocando os objetos que a compõem num fundo infinito monocromático.

            O estilo de Ilsa Jacob Silva, ao ressaltar o papel de cada imagem no conjunto da tela, estimula o espectador a criar os fundos que melhor desejar. Seu estilo confere ao observador um papel essencial na atividade artística, procedimento mental sintonizado com as tendências contemporâneas de análise da obra de arte, que dão ao observador um papel essencial no processo comunicativo.

            Oscar D’Ambrosio é jornalista, crítico de arte e autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naüf Waldomiro de Deus (Editora Unesp).

           

             

 

 

 

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