por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Ieda Trench

As visões da natureza

O poeta e filósofo norte-americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882), ao refletir sobre a beleza das plantas e das flores, disse que “A Natureza e os livros pertencem aos olhos que os vêem”. Se a leitura de um livro permite infinitas interpretações literárias, ao olhar um fenômeno natural, o artista plástico pode observá-lo de diversas maneiras, dando, a cada uma, um toque pessoal.

Nascida em São Paulo, em 1963, Ieda começou a pintar aos 15 anos. Realizou estudos de pintura acadêmica, mas percebeu que esse rigor tolhia a sua liberdade de criação, impedindo-a de criar quadros nos quais desejava mostrar, de maneira muito pessoal, a sua relação com a natureza, marcada sempre por uma ótica que valoriza flores e outros elementos como ponto de partida para a criação artística.

Ieda começou, em 1998, uma nova fase, em que dá vazão a sua riqueza expressiva interior, caracterizada por trabalhos realizados a óleo, colagens, trípticos e diversas obras que variam, desde as tonalidades mais quentes, como vermelho e amarelo, a tons ocres. O recurso de cortar a tela, por exemplo, é um daqueles que utiliza para obter resultados que surpreendem e fascinam.

A artista, que já realizou exposições no Osasco Plaza Shopping, em Osasco, e no Fran’s Café da Juscelino Kubitscheck, em São Paulo, apresenta, em suas telas, por exemplo, imagens da natureza revisitadas de diversas maneiras. Numa dessas combinações, a copa é feita com azulejos coloridos e o tronco, com uma casca de árvore artisticamente retrabalhada num fundo que evoca todo o potencial telúrico da natureza.

Uma característica muito pessoal da pintura de Ieda é a importância estética que a assinatura ganha em seus quadros. O nome da artista geralmente participa da composição, sendo colocado, por exemplo, em partes separadas nos dípticos e trípticos. A pintora admite inclusive que a decisão de onde e como colocar a sua marca registrada em cada trabalho é o momento em que se demora mais tempo perante a tela.

A assinatura, para Ieda, portanto, não é simplesmente a escrita de um nome, mas sim um elemento pictórico, como o traço ou a cor, que auxilia a artista a compor novas imagens e relações entre os elementos de cada tela. Colocar o nome deixa assim de ser uma obrigação formal para se tornar um ato estético.

As flores presentes na pintura de Ieda ultrapassam qualquer simbolismo simplista. Elas valem por aquilo que são enquanto objeto artístico. Uma aveludada rosa de intensa cor vermelha e um girassol que parece explodir como um sol pleno de vida são algumas das imagens presentes em diversos trabalhos da artista.

Seja em telas simples, dípticos ou trípticos, Ieda apresenta grande facilidade de trabalhar com diversas técnicas. Suas colagens são delicadas e seu trabalho com volumes se vale de materiais diversos, como tecido ou casca de árvores. O suporte da tela não é limitador, mas, pelo contrário, serve como ponto de partida para um mergulho nas múltiplas possibilidades de interpretação que a natureza oferece.

Emerson, maravilhado com aquilo que seus olhos viam, disse que “a Natureza é uma nuvem mutável, sempre e nunca a mesma”. Nas telas de Ieda Trench, isso se torna ainda mais verdadeiro. A artista transforma e interpreta aquilo que vê em jardins ou fazendas numa manifestação plástica, de maneira muitas vezes inusitada e geralmente criativa e talentosa, com cores intensas, conseguindo assim transformar a maravilhosa riqueza visual da natureza em algo ainda mais divino.

Oscar D’Ambrosio é jornalista, crítico de arte e autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora UNESP).   

   

 

 

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"Não é Sol"

Mista -100 X 100 - 2000-  

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