por Oscar D'Ambrosio


 

 


Ieda Helal

 

            Aquarelando orixás

 

            A aquarela digna desse nome, trabalha com transparências e passagens de cor num exercício constante de sugestões. Eventuais figurações ficam em segundo plano perante o talento de construir uma poética pautada pela maneira de ocupação do espaço, num exercício que exige dedicação e aprendizado constante.

            Ieda Helal se vale justamente de apurada técnica para construir  sua série de sobre orixás da cultura afro-brasileira. Cada entidade é transformada em imagem por uma articulação visual que soma à aquarela elementos de poderoso valor estético, como folhas de ouro e de prata.

            O que mais chama a atenção na observação dos trabalhos é a maneira como eles articulam informações para construir a composição. A sugestão de objetos e formas comanda o diálogo entre mitos e personagens numa conjugação de forças espirituais e plásticas.

            Um aspecto a ser ressaltado é a maneira como a artista geralmente utiliza o centro do quadro. Existe a tendência de criar estruturas em que os vazios e cheios de tinta estabelecem elos entre o manifesto e o apenas sugerido. Nesse sentido, a valorização do branco do papel contribui para enriquecer cada obra.

            O maior mérito do conjunto está na habilidade de Ieda Helal de fugir do óbvio, que seria uma representação figurativa dos orixás ou a construção de um mero jogo de sensações e abstrações. Ela consegue, com extrema delicadeza, oferecer pistas sobre as divindades representadas, manuseando a aquarela com propriedade e sensibilidade.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pela Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (AICA-Seção Brasil).

 

 
 

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 Cosmos - Série Orixás
aquarela 53 x 78 cm 2007

Ieda Helal

 

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