Helio
Tarallo
O
gesto como linguagem
Cada
artista encontra a sua própria forma de estabelecer uma linguagem que
mostre a sua visão de mundo e o seu diálogo com a realidade. O
artista plástico Helio Tarallo encontrou a sua melhor maneira de
expressão no gesto presente em suas obras. É assim que torna a sua
pintura relevante como veículo comunicativo.
Nascido
em São Paulo, SP, em 13 de julho de 1954, Tarallo começou a estudar
pintura e desenho em 1986, com o pintor impressionista Orlando Chiossi,
além de freqüentar espaços abertos onde pôde aprimorar a sua técnica,
como Lasar Segall,
Pinacoteca do Estado e Centro Oswald de Andrade.
No
entanto, o impressionismo cedeu espaço, após contato com técnicas
de auto-conhecimento e uma viagem a Índia,
a um mergulho numa arte em que o gestual se torna essencial. O
figurativo perde espaço e o abstrato torna-se a manifestação de uma
linguagem em que não há racionalização, mas busca pela
autenticidade do ser, pela sua verdade interior tornada imagem.
Esses
trabalhos, realizados com giz de cera e outros materiais sobre papel,
geraram obras com tinta acrílica caracterizadas pela manutenção do
gesto como elemento fundamental, aliado ao uso da espátula para
preencher as áreas delimitadas pelos vários traços presentes em
cada tela.
O
resultado é a delimitação de campos visuais, marcados pela presença
de diversos traços que apontam para círculos e elipses, pictoricamente
resolvidos pelo uso de cores ou composições em preto e branco.
Nestas últimas, há um impacto mais consistente pelo próprio diálogo
entre a presença e a ausência da cor.
Tarallo
consegue em suas telas unir a proposta de uma espontânea criação de
formas, manifestada nos gestos de traçar as linhas mestras da obra,
com o cuidadoso e delicado ofício de dar a cada composição o melhor
acabamento possível na maneira de distribuição das cores.
O
exercício criativo de Helio Tarallo revela um amadurecimento artístico
em que as experiências anteriores foram acumuladas em nome de um
resultado estético marcado por uma obra que cativa justamente pela
mescla entre a espontaneidade e a técnica. Da somatória desses
elementos, surgem trabalhos de impacto visual e aprimorado feitio técnico.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da
UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção
Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov
(Noovha América) e Os pincéis de
Deus: vida e obra do pintor naïf
Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São
Paulo).