Helena Carvalhosa
A força do
desenho
O poder da
força plástica de Helena Carvalhosa provém em boa parte dos dois locais
onde obteve sua formação artística. As soma dessas influências conseguiu
desenvolver uma linguagem própria plena de liberdade, mas também ligada
à sistematização que lhe permite estabelecer algumas séries de profundo
impacto.
No começo dos
anos 1970, freqüentou a Escola Brasil, instituição de ensino fundada
pelos artistas José Resende, Carlos Fajardo, Luiz Paulo Baravelli e
Frederico Nasser que, como alternativa às formas pedagógicas
tradicionais, baseava sua proposta de aprendizagem na vivência e na
atividade artística como experimentação. Tinha como sustentáculo, nesse
sentido, o modelo de formação recebido pelos seus fundadores na
convivência com Wesley Duke Lee.
A
idéia
não
era
seguir
um
currículo
fixo e
progressivo,
mas
estabelecer
um
clima de
discussão e
criação
em
torno das
personalidades de
cada
um dos
fundadores. Os
ateliês tinham
justamente o
nome dos
professores, havendo uma
constante
modificação do
conteúdo de
acordo
com a
orientação de
cada
um deles.
Entre 1974 e 1977,
Helena cursou
Artes
Plásticas na Faap, tendo
então a
oportunidade de
conviver
com uma
outra
realidade,
baseada numa
instituição
que seguia uma
linha de
ensino
onde despontavam
nomes
como Regina
Silveira e Vlavianos,
entre
muitos
outros.
Também
era
um
espaço de
estímulo à
criatividade,
mas
dentro de uma
atmosfera
universitária.
A
produção de
Helena Carvalhosa,
que
anda recebeu orientação dos artistas
plásticos Hélio Cabral e Nelson Nóbrega, caminhou nesse
universo
pelo
desenho,
pela
pintura,
que vem retomando neste
ano, e
pela
criação de
instalações
em
que coloca,
por
exemplo, o
vidro
lado a
lado
com o
barro,
como
elementos
complementares, seja
pela
aparência
como
pelo
processo
criativo
que envolvem.
Especificamente no
desenho, sua série mais recente é a de obras em tinta branca sobre papel
negro ou de outras cores, como marrom ou azul, na qual exercita o traço,
trabalha com contrastes visuais e desvenda um tema de sua predileção, as
árvores, com suas múltiplas nervuras e sulcos.
Há
também
trabalhos
abstratos coloridos
sobre
papel
em
que a
intensidade da experimentação se faz na
maneira de
construir as diversas
composições e
cores. É,
porém,
nos
desenhos
em
que as infinitas possibilidades
que a
natureza oferece ganham
relevância,
principalmente naqueles
em
que o
fundo do
papel é respeitado.
São
então estabelecidos
momentos de
silêncio,
em
que vem à
tona o
poder do
vazio
como
um
grito de valorização do
desenho e da
habilidade de
levar
idéias
visuais
para o
papel, gerando
conhecimento.
A
partir da
Escola Brasil – e
sua
liberdade de
propor
caminhos – e da Faap –
onde existiam
normas
para
seguir
um
currículo pré-estabelecido –,
Helena Carvalhosa constrói uma
trajetória diversificada, marcada pelas
amplas possibilidades de
lidar
com diversas
técnicas e de
apresentar
um
raciocínio
coerente,
com o
desenho e modelagem do
barro
como
importantes
matrizes na
busca de
mecanismos
que expressem uma
visão
parcial –
por
ser
individual –
mas
plena –
por
ser pensada e repensada – do
mundo.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp,
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção
Brasil).