Helena Almeida
A
poética do
instante
A
principal
mágica do
trabalho
plástico da
artista portuguesa
Helena Almeida está na
forma
como realiza
composições
que dialogam
intensamente
com a
escultura.
Elas manifestam
um
sentimento
perante
cada
instante de
estar no
mundo.
Posições e
atitudes indicam uma
vibração
íntima e diferenciada.
Densos
elos desse
fazer
com a
pintura e o
desenho revelam
um
enorme
zelo no
estabelecimento de uma
linguagem
precisa
com
extremo
cuidado
em
cada
detalhe.
Cada
imagem constitui,
assim,
um
haicai. O
espaço é dominado
pela
técnica,
mas a
sensibilidade
nunca é deixada de
lado.
As
fotografias de
um
corpo
masculino e
feminino se abraçando
em
preto e
branco,
por
exemplo, apontam
para uma
relação do
físico
com o
espaço
que integra o
gesto e a
devoção ao
movimento
como
um
registro poético. A
delicadeza é
onipresente e instaura o
denso
mistério do
processo e da
consecução da
criação.
Cada
fotografia,
embora integre uma
série,
ganha
autonomia. É
um
todo
que
não necessita de uma
proposta programática
plena de
citações
ou
referências. O
que existe é a
capacidade da
artista de
ouvir
aquilo
que o
corpo diz. Há uma
declaração de
amor à
vida e, ao
mesmo
tempo,
um
permanente
diálogo
com a
morte, o
escuro e o misterioso.
O
mundo de
Helena Almeida é a
poética de
um
instante
que se dá no
espaço. Predomina o
domínio dos
volumes
em
registros
criados
por uma
artista
que se isola nas
imagens
para
ser
universal e se congela
pela
força da
fotografia de
modo a
passar ao
observador o
lirismo de
perenes e
sublimes
movimentos.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).