por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Gustavo Ferro

 

            Eterno auto-retrato

 

            O universo das artes visuais reserva as mais variadas surpresas e tipos de criadores. Há, grosso modo, dois universos de artistas muito distantes entre si e igualmente importantes: os que se escondem por meio da obra para falar do mundo e os que, ao longo de uma carreira, se expressam continuamente pelo trabalho.

            Nascido em Santos, SP, em 16 de julho de 1988, Gustavo Ferro pertence ao segundo grupo. As obras expostas no 12º Salão Paulista de Arte Contemporânea são, sob certo aspecto, um auto-retrato poético e uma expressão visceral do que significa viver – e ser artista – no início do século XXI.

            Além da força inerente e do significado plástico de cada imagem, está uma proposta estética consolidada. Ao olhar cada obra, o observador é colocado perante uma história e esse confronto com o outro traz tamanha densidade, que se tona difícil saber onde começa o trabalho na parede e onde se inicia cada trajetória individual do público.

            Reside aí a contemporaneidade de Ferro. De matriz expressionista, seu pensamento estético inclui o trabalho com papel, o uso de pregos sobre esse suporte, a presença de textos manuscritos, rostos raspados e cobertos e justaposição de outros, num alerta constante para a divisão do eu.

            Gustavo Ferro apresenta uma poética que fala dele mesmo com uma densidade que atinge o coletivo. Assim como Guimarães Rosa é o mais universal dos regionalistas, o artista de Santos atinge a dimensão do conjunto da humanidade a partir de uma poderosa expressão individual.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

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  Fada dos dentes
25 x 23 x 2,5 cm fotografia, madeira, bastão oleoso, prego, dente 2008

Gustavo Ferro

 

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