por Oscar D'Ambrosio


 

 


Grande Salão de Artes de Santa Bárbara d’Oeste 2008

 

            Toda manifestação plástica contém uma educação visual do mundo. A seleção de material para um salão de arte gera uma reflexão sobre os critérios e paradigmas utilizados, principalmente quando, como ocorreu no presente caso, um significativo número de participantes levou a comissão julgadora a ampliar o número de trabalhos selecionados anteriormente delimitado.

            Das reflexões dos cinco integrantes da comissão, algumas observações devem ser compartilhadas com os artistas que enviaram obras, tanto aqueles que tiveram seus trabalhos aprovados como os que, por algum motivo, não participarão da edição de 2008 do evento.

            Um conselho inicial diz respeito ao uso indevido de imagens, algo bastante comum em candidatos que mandaram trabalhos de fotografia. É importante frisar que utilizar uma foto de uma pessoa sem a devida autorização constitui crime ético e penal, seja para exaltar a beleza de outrem ou mesmo para denunciar uma questão de miserabilidade.

            O respeito ao regulamento no que tange a dimensões das obras a serem expostas também merece breves considerações. Aqueles concorrentes que ignoram o que está escrito devem lembrar que certas normas são exigidas não para dificultar a vida dos participantes, mas por questões de ocupação do espaço, limitações técnicas de montagem ou características intrínsecas de cada exposição.

            O mesmo se aplica à remessa das fotografias dos trabalhos. Não se trata apenas de seguir tamanhos predeterminados. A questão é respeitar o próprio fazer artístico e a comissão julgadora, pois o artista digno de tal nome precisa ter um compromisso com si mesmo de encaminhar imagens que sejam o seu máximo, tanto em ternos de foco como de fidelidade às cores.

Dessa maneira, a comissão terá condições de desempenhar melhor o seu papel. Isso inclui não poder trabalhar a partir de fotografias de melhor qualidade técnica, como também o recebimento correto e completo das informações em ternos de técnica, título, medidas e quaisquer outros esclarecimentos que o candidato julgar necessário para o comitê de seleção.

O envio de obras de diferentes séries ou técnicas, sem compor uma unidade, também prejudica o processo de seleção. A busca de uma linguagem plástica regida por critérios de composição e a apresentação de um pensamento visual e de um projeto estético são fatores levados em conta no momento de discutir quais trabalhos devem ou não integrar um evento plástico  de relevância.

            O domínio da técnica escolhida, concretizada da melhor maneira possível e apresentada com seriedade e sem improviso ao júri de seleção, é um quesito fundamental, assim como a originalidade, entendo-se esta como a intenção de apresentar uma expressão pessoal e única em sua verdade interior.

 

              Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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