por Oscar D'Ambrosio


 

 


Gradis de ontem e de sempre

 

Grade geralmente baixa que cerca um local, o gradil é uma forma de proteger uma determinada área. No entanto, ao longo do tempo, essa função de limitar a entrada de pessoas e animais foi ganhando novas conotações e cada um deles se tornou numa obra de arte, com infinitas variações plásticas.

            Com o desenvolvimento da sociedade industrializada e, posteriormente, da globalização, ocorreu a destruição dos gradis. Eles passaram a ser desprezados pela arquitetura moderna justamente por poderem ser ultrapassados com facilidade, não servindo mais como forma de segurança.

            Encantados com o tema, muito presente na cidade de São Paulo, principalmente em alguns bairros decadentes e alguns em revitalização, os artistas Carlo Cury e Jorge Prado já haviam planejado uma exposição que tivesse como núcleo a beleza e a deterioração dos gradis.

Chegaram inclusive a realizar alguns trabalhos, mas, com o falecimento de Prado, o projeto foi interrompido, ressurgindo agora com a inclusão de mais dois criadores, Alexandre Bernardes e Luci Torres. Artistas plásticos e arquitetos, como Cury, formam um quarteto que propõe a recuperação plástica dos gradis.

Eles olham para aqueles que restaram na cidade ou para os que são às vezes encontrados em lixões ou caçambas e os devolvem à sociedade sob uma leitura poética, cultural e histórica. As questões discutidas pelo grupo são então de diversas ordens. Incluem a cor, os materiais empregados e, acima de tudo, o gradil como um elemento em extinção da metrópole urbana, algo que, prestes a ser lenda, ainda pode ser resgatado pela arte, residência privilegiada da memória coletiva e individual.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

artCanal

 

Outros Artistas

 

Oscar D’Ambrosio