por Oscar D'Ambrosio


 

 


Glaucia Gomes

 

            Paisagens de cores

 

            Colocar uma grande intensidade de emoções em cada trabalho é a grande diferença entre o artista – que busca em cada pincelada um passo de sua carreira – do diletante, que tem uma produção esporádica e nem sempre regular, embora, não por isso, de menor qualidade.

            Nascida em Americana, SP, em 4 de janeiro de 1983, Glaucia Gomes pertence ao rol dos artistas que produz muito e com alegria, quase de forma incessante. Seus trabalhos provêm, em parte, das viagens que realiza a sua cidade natal ou a outros estados brasileiros, mas sempre com a preocupação de atingir um resultado mais apurado em cada obra.

            Glaucia, que já fez ilustrações para jornal, pinta quartos para crianças e produz caricaturas e retratos, apresenta duas vertentes de trabalho aparentemente diferentes, mas muito próximas entre si: uma de paisagens e outra de árvores. Em ambas, está a mesma percepção fenomenológica do mundo circundante.

            Acima de tudo, está o domínio do trabalho com as cores, que ganham vida por si mesmas, não interessando muito se estão a serviço de algum tema específico. Sua linguagem é a das cores e a da expressividade, gerando um resultado que mobiliza mentes e almas.

Nesse sentido, paisagens com massas de cor sobre papel ou árvores pintadas em tela se igualam no recurso expressivo que chama a atenção. O prazer do fazer e a habilidade de ver a cor como interlocutora do mundo torna cada obra de Glaucia Gomes um mergulho interessante em camadas de expressão bastante pessoais.

 Paisagens, árvores ou mulheres se igualam tecnicamente. A preocupação cada vez menos é a da imagem em si mesma. Em nome da plasticidade, as formas e as cores é que ganham o primeiro plano e dominam as cenas. A habilidade na feitura do retrato é notória, por exemplo, na forma como são construídos os troncos das árvores. Lá estão os mesmos vincos e rugas.

            Analogamente, as paisagens das idas e voltas entre Americana e São Paulo apresentam jogos de cor que brotam de um olhar que progressivamente vai treinando a si mesmo para criar nas obras artísticas aquilo que a realidade não oferece. É assim que a artista responde ao desafio de viver.

            Ao dizer não à diletantismo artístico e sem a militância da cor e da arte do fazer, Glaucia Gomes percorre o caminho da pesquisa constante, essencial para o seu desenvolvimento artístico. Breve, suas paisagens com massas de intensa cor não serão mais reconhecíveis no real, mas sim resultado de uma evolução técnica constante. Deixarão assim de ser paisagens, constituindo mergulhos de cor e espelhos de almas.

           

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 
 

 

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 Mulher I 
tinta acrílica sobre papel roller 31,7 cm x 12 cm 2005

Glaucia Gomes

 

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