Glaucia
Gomes
Paisagens de cores
Colocar uma grande
intensidade de emoções em cada trabalho é a grande diferença
entre o artista – que busca em cada pincelada um passo de sua
carreira – do diletante, que tem uma produção esporádica e
nem sempre regular, embora, não por isso, de menor qualidade.
Nascida
em Americana, SP, em 4 de janeiro de 1983, Glaucia Gomes
pertence ao rol dos artistas que produz muito e com alegria,
quase de forma incessante. Seus trabalhos provêm, em parte, das
viagens que realiza a sua cidade natal ou a outros estados
brasileiros, mas sempre com a preocupação de atingir um
resultado mais apurado em cada obra.
Glaucia,
que já fez ilustrações para jornal, pinta quartos para crianças
e produz caricaturas e retratos, apresenta duas vertentes de
trabalho aparentemente diferentes, mas muito próximas entre si:
uma de paisagens e outra de árvores. Em ambas, está a mesma
percepção fenomenológica do mundo circundante.
Acima
de tudo, está o domínio do trabalho com as cores, que ganham
vida por si mesmas, não interessando muito se estão a serviço
de algum tema específico. Sua linguagem é a das cores e a da
expressividade, gerando um resultado que mobiliza mentes e
almas.
Nesse
sentido, paisagens com massas de cor sobre papel ou árvores
pintadas em tela se igualam no recurso expressivo que chama a
atenção. O prazer do fazer e a habilidade de ver a cor como
interlocutora do mundo torna cada obra de Glaucia Gomes um
mergulho interessante em camadas de expressão bastante
pessoais.
Paisagens,
árvores ou mulheres se igualam tecnicamente. A preocupação
cada vez menos é a da imagem em si mesma. Em nome da
plasticidade, as formas e as cores é que ganham o primeiro
plano e dominam as cenas. A habilidade na feitura do retrato é
notória, por exemplo, na forma como são construídos os
troncos das árvores. Lá estão os mesmos vincos e rugas.
Analogamente,
as paisagens das idas e voltas entre Americana e São Paulo
apresentam jogos de cor que brotam de um olhar que
progressivamente vai treinando a si mesmo para criar nas obras
artísticas aquilo que a realidade não oferece. É assim que a
artista responde ao desafio de viver.
Ao
dizer não à diletantismo artístico e sem a militância da cor
e da arte do fazer, Glaucia Gomes percorre o caminho da pesquisa
constante, essencial para o seu desenvolvimento artístico.
Breve, suas paisagens com massas de intensa cor não serão mais
reconhecíveis no real, mas sim resultado de uma evolução técnica
constante. Deixarão assim de ser paisagens, constituindo
mergulhos de cor e espelhos de almas.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo
Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte
(AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a
arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus:
vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp
e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).