por Oscar D'Ambrosio


 

 


Gil Verx

 

A quarta dimensão

 

            A mescla de pressupostos artísticos acadêmicos de reprodução do real com o pensamento conceitual da modernidade é o que torna a arte produzida por Gil Verx extremamente atual. Ele toma como matéria-prima telas de arame e modela nelas formas humanas ou abstrações criando um universo de possibilidades visuais que extrapola as três dimensões.

            Tradicionalmente, quando se pensa em três dimensões, estamos trabalhando com as medidas de comprimento (ou profundidade), largura e altura. A quarta dimensão (espacial) é ortogonal, ou seja escapa aos conceitos de cima/baixo (altitude), norte/sul (longitude) e leste/oeste (latitude).

A quarta dimensão espacial a que nos referimos provém das aberturas que Verx propicia. Por um lado, ele utiliza o plano, no sentido que as sobras da luz sobre  a peça que o artista produz geram uma imagem contra uma parede, papel ou algo semelhante. Por outro, atinge, em todas as dimensões possíveis, de volume.

O segredo está no fato de a tela de arame, que apresenta numerosos graus de espessura e de abertura de tramas, vale enquanto obra em si mesma e enquanto caminho a ser desvendado em termos de viabilidade plástica pelo uso da incidência de  luz sobre ela.

Há na obra de Gil Verx numerosos elementos estranhos e misteriosos. Isso significa a capacidade de explorar novas formas de expressão por intermédio de um suporte ainda pouco utilizado. O fato de a luz poder agir com as máscaras e objetos de arame questiona inclusive o próprio trabalho.

As perguntas que surgem apontam para onde está o ponto mais forte da pesquisa do artista. Ele residiria no ato da escolha do material, na modelagem, na consecução lenta das tramas, com inúmeras tranças, no estudo da luz ou nos jogos de sombras possíveis a partir da passagem e a interação dos feixes de luz com o objeto?

A técnica que o artista plástico e iluminador baiano radicado em São Paulo usa é indagadora. Os seus trabalhos com resultados plásticos mais significativos ocorrem quando começa a criar formas abstratas ou aliadas a um conceito, como telas de arame cobrindo caveiras de animais ou sugerindo a presença deles.

Quanto menos figurativa, a obra ganha em profundidade e em possibilidades de leituras. As sombras projetadas obtêm uma autonomia cada vez maior, sendo praticamente autônomas à construção plástica em si mesma. É nesse jogo que a quarta dimensão se instaura.

Não estamos falando mais de linha, plano ou volume, mas dos diálogos entre essas instâncias. São estabelecidas assim estruturas imaginárias que demandam do espectador sensibilidade e criatividade, principais atributos mostrados por Gil Verx em cada nova criação.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 
 

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  Homem invisível
tela de arame modelada 30 x 23 x 18 cm 2003
Gil Verx

 

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