Gilvan
Cabral: respeito aos materiais
É
no domínio de madeiras, como pau-brasil e mogno, e metais, como
cobre, que o escultor goiano Gilvan Cabral desenvolve a sua linguagem.
Autodidata, realiza um trabalho figurativo que se vale de tipos
regionais, Madonas e casais, com uma cativante verticalidade. As
fisionomias do artista despertam interesse por algumas marcas
registradas, como as testas largas e um ar indagador.
A
lírica de suas esculturas está na maneira elegante de tratar o
material e na devoção ao próprio trabalho, expresso em duas dimensões:
o respeito à madeira, com sua linguagem própria, e à figura humana,
tratada sempre como ponto de partida.
Mesmo
quando há uma liberdade no tratamento das formas, mantém-se o
pressuposto básico de que o resultado de esculpir os mais diversos
materiais a partir de formas humanas é um ato de criação e, ao
mesmo tempo, de devoção ao corpo. Nessa combinação entre ousar
e manter os modelos existentes, Gilvan Cabral oferece um
trabalho bem conhecido no Centro Oeste brasileiro – e que merece se
espalhar pelo País.
Oscar
D’Ambrosio, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade
Estadual Paulista (Unesp), é crítico de arte e integra a Associação
Internacional de Críticos de Artes (Aica - Seção Brasil).