Gilio Mialichi
Uma
expressão do
ser
Existem basicamente duas
maneiras de
reagir a
um
trabalho
plástico. Há
aqueles
que buscam
encontrar
ali o
belo,
dentro de uma
perspectiva
que tem
paradigmas na
arte
renascentista.
Outros,
por
sua
vez, preferem
seguir os
próprios
instintos, numa
jornada
absolutamente
pessoal de
emoções
por
aquilo
que a
imagem evoca.
As
obras de Gilio Mialichi navegam
por uma
fronteira
delicada.
Elas se afastam da
beleza
clássica,
mas, ao
mesmo
tempo, revelam uma
predileção
pela
utilização do
corpo,
principalmente
pela
presença do
universo da
maternidade e da
criança,
sempre
com
um
traço
forte e visceral,
onde a
linha tem
um
papel
fundamental.
Paulistano radicado
em
Limeira, SP, ao
lidar
com a
lona
como
suporte,
ele oferece
figuras
que aparecem esmaecidas,
mas
isso
não faz
com
que percam a
força.
Pelo
contrário, há
um
ganho
em
termos da
atmosfera apresentada. Cria-se
um
espaço
intermediário
entre
sonho e
realidade,
onde os
casulos e bebes dialogam
pela
presença da circularidade,
com a
idéia do
novelo
como
referência.
O
impacto de Gilio Mialichi se dá
pela
maneira
direta
como
ele
usa a
sua
expressão. Trata-se de uma
forma de
comunicação
que instaura uma
beleza
própria, caracterizada
por
um
discurso
plástico
que tem a
sinceridade
como
mecanismo motivador.
Não há
maneirismo
ou
hipocrisia
para
agradar
galerias,
marchands
ou
curadores,
mas uma
lúcida e
sincera manifestação de
um
ser.
Oscar
D’Ambrosio,
jornalista, é
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes (IA) da Unesp, câmpus de
São Paulo e integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (Aica -
Seção Brasil).