por Oscar D'Ambrosio


 

 
 

Gilce Velasco

           

            A poética do compartilhar

 

            Se há algo que não se explica no ato de contemplar uma obra de arte, é a possibilidade de ela ser visceral tanto no campo da produção como no de sua recepção. É nesse contexto que os quadros da artista plástica Gilce Velasco respiram. Eles surgem como movimentos de inspiração e expiração, ou seja, oscilam entre a volta para si mesmos e instantes de expansão rumo ao mundo.

            Seus momentos mais intensos são exatamente aqueles em que a artista dialoga com o observador pela força plástica do trabalho com as cores e as formas. Há ali um grito de agonia, um braço estendido em busca de compartilhar um fragmento do tempo. Cada tela se faz importante pela sua intrínseca capacidade de nos interrogar. Isso ocorre pelo poder da artista de, com a sua técnica, expressar emoções e, muitas vezes, indignações em relação ao mundo.

            Os melhores quadros de Gilce poderiam ostentar a etiqueta “Contra a indiferença”, ou seja, têm a forma de nos mobilizar internamente, recuperando o autêntico papel da arte de combater a anomia que pode paralisar intelectualmente  a sociedade. As áreas de cores geralmente bem definidas e momentos próximos ao surrealismo, com aberturas de luz que funcionam como olhos – ou buracos  negros – a nos chamar a atenção são importantes integrantes de uma poética de compartilhar experiências estéticas e dividir emoções.

            Trata-se de um processo que exige a participação ativa e constante dos envolvidos. Gilce Velasco, em cada série significativa de trabalhos, coloca uma visão de mundo pungente, em que as massas de cor e ocasionais presenças da linha ocupam o espaço de maneira própria e peculiar.

            Ao fruidor, cabe o desafio de olhar a força do objeto plástico e interagir com ele como achar melhor. Encantando-se ou rejeitando o que vê, ele logo percebe o dilema de estar perante uma criadora que suporta e comporta, como costuma acontecer, múltiplas leituras, menos a da indiferença.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).

 

 

 

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 Menina 
100 x 100 cm acrílica sobre tela 2004

Gilce Velasco

 

 

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