G. Fogaça
O domínio da
cor
O primeiro
impacto que se tem ao observar a obra do artista goiano G. Fogaça é
que se está perante um colorista. Acima da habilidade com o desenho,
está a forma de compor linhas e cores para estabelecer atmosferas
caracterizadas pelo sentimento de estar em ambientes urbanos marcados
pela solidão do homem contemporâneo.
Tonalidades
mais escuras, embora realçadas pela presença de algumas manchas de
cores mais quentes, realçam a dificuldade de se viver em meio a
ônibus, caminhões e edifícios. Acima de tudo, seres humanos buscam
seus semelhantes e, como indica a textura de cada quadro, esse
encontro não ocorre.
Resta um
caminhar sem direção num clima dantesco. A esfera citadina é
exatamente a de milhares de pessoas indo de um lado para outro como
formigas. Cada uma tem a sua função, mas nenhuma consegue visualizar o
todo. Há o esforço por realizar travessias, sempre num ritmo
apressado, numa jornada sem fim.
A pintura de
Fogaça capta o movimento e, ao mesmo tempo, o congela. Seja um anúncio
publicitário ou uma silhueta ao final da tarde, o elo entre os seus
quadros é a pequenez do homem perante o ambiente. O tema, que permite
uma abordagem sociológica, é desenvolvido pela composição pictórica de
fantasmas permeando espaços.
Cada ser
pintado funciona quase como um ente isolado. O eterno caminhar humano
torna-se um passeio sem sentido, como o desafio do mitológico
personagem grego Sísifo a empurrar uma pedra que logo,
inevitavelmente, rolará morro abaixo. Analogamente, a jornada do homem
da residência para o trabalho – ou em busca dele – e o retorno para o
lar envolve visões cotidianas geralmente não registradas.
Fogaça as
traz à tona com um estilo marcado pelo uso de cores, numa espécie de
desabafo plástico. Suas pinturas estabelecem pontes entre a visão e o
sentimento, ou seja, entre a fascinação e o medo que o ambiente urbano
geram e a necessidade de expressar uma sensação de estar no mundo –
nem sempre com felicidade.
Talvez o
grande tema do artista seja a reflexão sobre qual é o nosso destino em
meio à hostilidade urbana. Linda arquitetonicamente, a cidade que o
artista vê é um cenário expressionista. Não se trata apenas da cor,
mas de uma forma de enxergar a existência e o espaço com consciência
de composição, senso geométrico e, acima de tudo, percepção de que a
humanidade criou as cidades e pode vir a ser engolida por elas.
Pessoas
isoladas em automóveis e visões de ruas mostram bicicletas e motos
muitas vezes interagindo com um universo de automóveis e pedestres. O
tratamento dado às cores acentua essa relação de dinamismo em que
predomina o conceito de que as pessoas estão indo de um lado para
outro em disparada, nem sempre sabendo os porquês de uma correria
desvairada.
Nas cidades
de G. Fogaça, as pessoas não são protagonistas. A urbe é que domina o
espaço como um dinossauro arquitetônico a esmagar a relva com seus pés
gigantescos. A criação se dá pela predominância de um silêncio que
brota da tela, obtido pela mescla do lirismo com a contundência
crítica gerada pela angústia de ver um un