por Oscar D'Ambrosio


 

 


G. Fogaça

 

            O domínio da cor

 

            O primeiro impacto que se tem ao observar a obra do artista goiano G. Fogaça é que se está perante um colorista. Acima da habilidade com o desenho, está a forma de compor linhas e cores para estabelecer atmosferas caracterizadas pelo sentimento de estar em ambientes urbanos marcados pela solidão do homem contemporâneo.

            Tonalidades mais escuras, embora realçadas pela presença de algumas manchas de cores mais quentes, realçam a dificuldade de se viver em meio a ônibus, caminhões e edifícios. Acima de tudo, seres humanos buscam seus semelhantes e, como indica a textura de cada quadro, esse encontro não ocorre.

            Resta um caminhar sem direção num clima dantesco. A esfera citadina é exatamente a de milhares de pessoas indo de um lado para outro como formigas. Cada uma tem a sua função, mas nenhuma consegue visualizar o todo. Há o esforço por realizar travessias, sempre num ritmo apressado, numa jornada sem fim.

            A pintura de Fogaça capta o movimento e, ao mesmo tempo, o congela. Seja um anúncio publicitário ou uma silhueta ao final da tarde, o elo entre os seus quadros é a pequenez do homem perante o ambiente. O tema, que permite uma abordagem sociológica, é desenvolvido pela composição pictórica de fantasmas permeando espaços.

            Cada ser pintado funciona quase como um ente isolado. O eterno caminhar humano torna-se um passeio sem sentido, como o desafio do mitológico personagem grego Sísifo a empurrar uma pedra que logo, inevitavelmente, rolará morro abaixo. Analogamente, a jornada do homem da residência para o trabalho – ou em busca dele –  e o retorno para o lar envolve visões cotidianas geralmente não registradas.

            Fogaça as traz à tona com um estilo marcado pelo uso de cores, numa espécie de desabafo plástico. Suas pinturas estabelecem pontes entre a visão e o sentimento, ou seja, entre a fascinação e o medo que o ambiente urbano geram e a necessidade de expressar uma sensação de estar no mundo – nem sempre com felicidade.

            Talvez o grande tema do artista seja a reflexão sobre qual é o nosso destino em meio à hostilidade urbana. Linda arquitetonicamente, a cidade que o artista vê é um cenário expressionista. Não se trata apenas da cor, mas de uma forma de enxergar a existência e o espaço com consciência de composição, senso geométrico e, acima de tudo, percepção de que a humanidade criou as cidades e pode vir a ser engolida por elas.

            Pessoas isoladas em automóveis e visões de ruas mostram bicicletas e motos muitas vezes interagindo com um universo de automóveis e pedestres. O tratamento dado às cores acentua essa relação de dinamismo em que predomina o conceito de que as pessoas estão indo de um lado para outro em disparada, nem sempre sabendo os porquês de uma correria desvairada.

            Nas cidades de G. Fogaça, as pessoas não são protagonistas. A urbe é que domina o espaço como um dinossauro arquitetônico a esmagar a relva com seus pés gigantescos. A criação se dá pela predominância de um silêncio que brota da tela, obtido pela mescla do lirismo com a contundência crítica gerada pela angústia de ver um un

 

 

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 Apressados
óleo sobre tela 100 x 110 cm 2006

G. Fogaça

 

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