por Oscar D'Ambrosio


 

 


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Gaby Braun

 

            A peneira da memória

 

            Embora incensada por muitos e vista até como uma atividade quase ou totalmente divina, a arte talvez não passe de uma lúdica jornada marcada pela capacidade de colecionar, recortar e colar fragmentos pessoais das mais variadas maneiras, numa espécie de quebra-cabeças vivencial e plástico.

            A artista Gaby Braun representa muito bem essa vertente ao se debruçar, com paciência, delicadeza e criatividade, sobre fotos antigas da  família, imagens recortadas e reunidas ao longo do tempo, carimbos e os mais variados tipos de papéis, numa garimpagem constante alimentada pelo próprio desejo de estabelecer elos próprios com o mundo.

            Recortes dos mais diversos tipos de material são incorporados ao trabalho num percurso absolutamente pessoal. Estrelas, flores, imagens do período vitoriano, papéis dourados e apropriações de obra célebres, geram uma diferenciada visão da realidade, caracterizada, acima de tudo, por um distinto modo de olhar.

            A artista seleciona os elementos a serem trabalhados individualmente, mas sempre tendo em vista a maneira como vai relacioná-los com outros. Padronagens de tecidos e papéis ganham então as mais diversas facetas, pois são acrescidos de interferências de técnicas e de imagens.

            A estrutura arquitetônica dos arcos góticos, por exemplo, alcança ares contemporâneos pela introdução de novos elementos, num jogo regido pela regra única de se dar a liberdade de voar e viajar esteticamente. Constrói-se assim um cosmos peculiar, em que o amor à miniatura é primordial.

            A arte de Gaby Braun é a do saber olhar. Ela encerra um microcosmo de oportunidades para o observador. Saber aproveitá-las é um desafio imenso. Todo detalhe é essencial, pois não está ali à toa. Cumpre uma função visual, traz o seu encantamento e magia.

Cada pedacinho passou pela atenta peneira da memória. É o resultado de uma delicada visão artística que comove pela complexa simplicidade que a motiva a encontrar nos objetos mais  simples e despercebidos um universo de riqueza plástica ilimitada.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

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 Sem título

colagem sobre papel 9 cm x 6 cm sem data

Gaby Braun

 

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