por Oscar D'Ambrosio


 

 


Fusão lírica e Valdo Kerpen

 

            O rico diálogo entre uma figura masculina, outra feminina e uma árvore sustenta o trabalho plástico de Valdo Keplen. Com extremo lirismo, ele se vale da simbologia desses elementos, que aludem a Adão, Eva e ao pecado original, permitindo uma multiplicidade de leituras.

            A energia que vem da terra, passando pelas raízes retorcidas, alimenta a libido do casal, que toca as bocas em delicado encontro de almas. Os cabelos do elemento feminino ganham, porém, o espaço e se mesclam com a folhagem movida por um poderoso vento imaginário, insinuado pelos sulcos e volumes.

            Nascida do desenho e passada ao poliuretano, a escultura evoca muito mais que uma relação sexual ou sensualidade. Há nela o poder de sugerir como um encontro de pessoas pode ser uma jornada inesquecível, vinculado ao poder de cada um de extrair o melhor de si mesmo.

            A curvatura da peça, num gesto de libertação da terra e do poder de ascensão rumo ao infinito arrebata o olhar e aponta para possibilidades plásticas e simbólicas construídas com competência. É da força vital da existência que Valdo consegue criar um instante mágico em que homem, mulher e seiva vital se unem em nome da arte.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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