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Fusão lírica e Valdo Kerpen
O rico diálogo entre uma figura masculina, outra feminina e uma árvore sustenta o trabalho plástico de Valdo Keplen. Com extremo lirismo, ele se vale da simbologia desses elementos, que aludem a Adão, Eva e ao pecado original, permitindo uma multiplicidade de leituras. A energia que vem da terra, passando pelas raízes retorcidas, alimenta a libido do casal, que toca as bocas em delicado encontro de almas. Os cabelos do elemento feminino ganham, porém, o espaço e se mesclam com a folhagem movida por um poderoso vento imaginário, insinuado pelos sulcos e volumes. Nascida do desenho e passada ao poliuretano, a escultura evoca muito mais que uma relação sexual ou sensualidade. Há nela o poder de sugerir como um encontro de pessoas pode ser uma jornada inesquecível, vinculado ao poder de cada um de extrair o melhor de si mesmo. A curvatura da peça, num gesto de libertação da terra e do poder de ascensão rumo ao infinito arrebata o olhar e aponta para possibilidades plásticas e simbólicas construídas com competência. É da força vital da existência que Valdo consegue criar um instante mágico em que homem, mulher e seiva vital se unem em nome da arte.
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).
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