por Oscar D'Ambrosio


 

 


Francisco Severino

 

No reino dos verdes

 

            Universo de artistas autodidatas, que vão desenvolvendo uma linguagem própria, a arte naïf encontra nomes de destaque no Leste Europeu, nos EUA, no Haiti e no Brasil. Por aqui, um dos principais destaques, pelas suas paisagens, repletas de verde com nuances de diversos tipos, é Francisco Severino.

            Nascido em Descoberto, MG, em 1952, começou a pintar em 1975. As paisagens predominam, tendendo para a horizontalidade. No entanto, quando se aventura em composições que valorizam elementos verticais, como um canavial ou uma floresta, o resultado é surpreendente em termos de composição.

Seu grande mérito, como é possível observar na exposição na  Galeria Jacques Ardies, em setembro de 2006, é a forma de trabalhar o verde, com variações próprias de quem tem consciência de que pintura, muito mais que um assunto é a forma de desenvolver um pensamento por meio das cores e formas.

O que impressiona em suas imagens é a mescla de apuro técnico com a sensação paradisíaca de que o tempo parou para que fosse pintado em diversas cenas, predominantemente rurais, criadas com um trabalho limpo em que os detalhes são fundamentais.

As diversas variações cromáticas dos ambientes ganham a tela pela consistência das pinceladas e pela preocupação de ser realista, mas sem a necessidade de se ater ao real em todos os aspectos. Há em cada imagem pintada uma seleção de elementos que contribui para a riqueza de cada composição.

O lirismo romântico das pinturas aponta para um interior que ainda existe no Brasil. Mais importante que as pessoas, no contexto pictórico de Severino, são os cenários idílicos. A natureza domina o espaço num exercício de liberdade de expressão plástica em que formas e cores são colocadas a serviço de um projeto visual harmônico.

Mesmo numa cena natalina, o céu e a natureza predominam, conquistando o observador não só pela proporção majoritária na tela, mas, principalmente, pela habilidade de compor, com uma paleta bastante pessoal, uma atmosfera de sonho que tem no rico interior do Brasil sua  fonte imagética inspiradora.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes Visuais pela UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil).

 

 
 

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 Colheita de milho 
50x80 cm óleo sobre tela 2006

Francisco Severino

 

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