por Oscar D'Ambrosio


 

 


Flavio Rossi

 

            A busca da essência

 

            As fronteiras entre a ilustração, a caricatura e a Arte, considerada com letra maiúscula, embora estabelecidas com certa rigidez pelos manuais, parecem cada vez mais tênues numa sociedade em que não ter limites parece ser a principal palavra de ordem. Fala-se muito em liberdade e relações intervisuais, mas, na prática, ainda predomina uma visão até sectária quando se pensa nos gêneros plásticos.

            Flavio Rossi suscita essa espécie de questionamento por progressivamente estar migrando da ilustração e da caricatura para a pintura, que a crítica, a universidade e as galerias reconhecem como algo mais nobre. O grande desafio está em manter, ao lidar com os pincéis uma característica fundamental de seus trabalhos anteriores: a deformação como recurso de revelação de personalidades e almas.

            De fato, desde o seu início na ilustração e, posteriormente, com caricaturas que tiveram êxito em diversos salões de humor no Brasil e no exterior, ele conseguiu desenvolver a capacidade de acentuar algum traço para atingir o que mais interessa na arte, independente do gênero: vislumbrar as principais características psicológicas e existenciais do retratado.

            Esse recurso, quando se pensa numa pintura que não mostra personagens conhecidos, mas trabalha com seres quaisquer ganha novas dimensões. Pela experiência de 5 anos de redação em jornal, onde fez aquilo que Aldemir Martins chamava de “serviço militar” pela necessidade de se disciplinar para cumprir prazos e seguir pautas do veículo, a oportunidade de estar livre para criar comporta o desafio de escolher o próprio caminho.

            Nascido em 9 de abril de 1979, em Campinas, onde fez o curso de Artes Plásticas da PUC, Rossi atinge um resultado mais contundente em sua pintura quando se debruça no universo feminino. Perceber o ridículo do ser humano, especialmente da mulher, em sua vaidade ou em situações inusitadas parece ser um caminho próspero, que se cristaliza ainda mais pelo uso da cor.

As figuras do antes chamado sexo frágil surgem com tamanha intensidade talvez por serem um universo em que as habilidades de ilustrador e caricaturista podem se fazer mais presentes. Captar o absurdo de situações envolvendo a mulher e resumir esses momentos em traços exagerados, mas não por isso desprovidos de sutileza, surge como uma vereda possível.

Há em Flavio Rossi que, entre outros, trabalhou com o mestre Ziraldo, o esforço constante de captar aquilo que nos torna humanos, seja no gesto, no físico ou na atitude. No momento em que esses aspectos vêm à tona com maior força, sua pintura cresce. Assim a habilidade de desenvolver um assunto, próprio da ilustração, ou o consistente traço ligado à caricatura pode, pouco a pouco entrar numa outra esfera: a da pintura da divina e trágica (mas não por isso menos cômica) existência humana.

 

Oscar D’Ambrosio mestre em Artes Visuais pela UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil).

 

 
 

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 Caricatura Salvador Dalí 

2º Prêmio Caricatura Pessoal XIII Bienal Internacinal de Humor de Cuba 2003

Flavio Rossi

 

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