Felipe Senatore
A
intensidade da
expressão
As
fronteiras
entre o
abstrato e o figurativo
são
bem
menores do
que se costuma
imaginar.
Sempre há
aquele
que consegue
encontrar no
gesto
mais
puro uma
imagem identificável e
quem repare, num
elemento
amplamente reconhecível, naquele
detalhe
que
não tem
relação
com o
conjunto da
figura
proposta
por
um
pintor.
A
arte de Felipe Senatore, considerada
por
alguns
expressionismo
abstrato,
caminha
justamente nessa
fronteira.
Ela se
vale da
dinâmica e do
consciente
uso da
cor
para
estabelecer
áreas de
movimento
em
que o
olhar do
observador é conduzido
pela
mescla
entre
dinamismo e
calmaria.
A
tensão
que o
jogo de
cores
poderia
ter é apaziguado pelas
formas e
pinceladas num procedimento
pictórico
em
que a
transparência
desempenha
um
papel
importante,
pois
quebra a
rigidez e permite
que a
pintura surja
como
manifestação de uma
arte
que funciona
nos
tons
mais
quentes
como no
universo
mais rebaixado de
cinzas e azuis.
Felipe
Senatore apresenta
um
processo de
construção
em
que
cada
obra
liberta uma
intensa expressividade, uma
busca
pela
harmonia
baseada na
maneira de
combinar
seqüências regidas
pela
percepção em que cada
imagem resultante guarda em
si o
segredo
mágico de
sua
criação.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).