por Oscar D'Ambrosio


 

 


Fabio Balen

 

A alegria das cores

 

Cores e formas são duas das principais maneiras que temos para nos relacionar com o
mundo. Saber utilizá-las de maneira plástica é, sem dúvida, um dos segredos da arte,
ainda mais quando se deseja ter o trabalho reconhecido pelos mais diversos públicos.

O pintor Fábio Luz Balen se vale desses dois recursos para obter um efeito plástico
que gera grande impacto pela utilização de cores vibrantes, que encantam o
observador logo na primeira visão do seu trabalho. Posteriormente, os interessados
na pintura propriamente dita, entendendo esta como o fazer artístico próprio de cada
criador, podem verificar as soluções técnicas atingidas.

Nascido em Caxias do Sul, em 10 de março de 1962, Balen é o resultado de um processo
que inclui o estudo dos pintores renascentistas e do cubismo e da técnica que
desenvolveu ao longo de sua carreira, em grande parte após ter viajado para a
Europa, em 1990. Ali, estudou arte clássica e pintura em Florença, Itália, mas, ao
retornar ao Brasil, em 1996, a grande marca que o Velho Continente lhe deixou foram
as cores vistas e aprendidas na Catalunha, Espanha, berço de mestres como Miró e
Picasso, onde o vermelho e o amarelo falam mais alto.

Muitas das cores que Balen utiliza provêm, portanto, da arte ibérica e do seu
esplendor na forma de explorar as potencialidades de cada pigmento. Incentivado pela
mãe, também artista plástica, ele realizou a sua primeira exposição individual na
cidade natal em 1997. Formado em Direito, profissão que nunca exerceu, atinge, em
suas pinturas, a sensação de alegria pela maneira como desenvolve seus temas.

O uso de formas arredondadas e a combinação de cores quentes e de grande intensidade
resulta na sensação de leveza que os quadros transmitem. O elemento lúdico se faz
presente de maneira muito forte, o que leva muitos a realizarem comparações entre o
seu trabalho e o do artista plástico Romero Britto.

Talvez a maior diferença entre os dois esteja na matriz intrínseca da obra de ambos.
O artista pernambucano segue os caminhos da pop art, radicando-se em Miami e vivendo
imerso na cultura norte-americana, enquanto o pintor gaúcho tem a sua raiz no
desenho e se alimenta, em boa parte, das cores oriundas de explosões arquitetônicas,
como a obra de Gaudí.

Balen dá equilíbrio ao seu trabalho pelo senso de composição que foi depurando ao
longo da carreira, enquanto o equilíbrio provém do uso da técnica pictórica, como a
busca da simetria mais adequada em cada tela. Nesse processo, vale-se dos estudos
realizados de arte acadêmica e do recurso gráfico de utilizar contornos pretos para
realçar as cores.

Colecionador de brinquedos antigos raros, o artista integra plenamente esse ludismo
ao seu trabalho, oferecendo variadas visões de diversos temas, como gatos, músicos
de jazz, equilibristas, dançarinas de cabaret, moinhos de vento e máquinas voadoras.

O artista divide o seu trabalho em pinturas, esculturas e releituras. Desses três
universos, o das releituras surge como mais interessante em termos de uma visão
diacrônica da história da arte. É possível, por meio das pinturas de Balen,
revisitar artistas do passado e verificar como ele retoma temas e composições dentro
de sua estética.

A arte de Fabio Balen alegra pelo uso sábio da cor. Há, em cada trabalho, o uso de
um trabalho plástico que, dominados pelo criador, geram o sentimento de leveza e,
acima de tudo, de um jogo plástico ao qual não se fica imune. A reação do público é
geralmente de surpresa, encantamento e admiração. Não é pouco, principalmente quando
se revisita o passado com criatividade. 

 

Oscar D'Ambrosio, jornalista, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da
UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e
é autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis
de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa
Oficial do Estado de São Paulo). 
 
 

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  Mãe Dolorosa 
1,15 m x 1,40 m acrílico sobre tela 2005

Fabio Balen 

 

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