por Oscar D'Ambrosio


 

 


Estações de Minas de Lilian Arbex

 

            Poucos meios de transporte reúnem tamanha fascinação como o trem. Capaz de levar pessoas ou cargas sobre trilhos, consiste basicamente numa locomotiva ou outro tipo de unidade automotora que puxa um comboio. As famosas máquinas a vapor, conhecidas no Brasil como Maria-Fumaça, nesse contexto, desempenharam, nos últimos dois séculos, importante papel.

            Durante a Revolução Industrial o trem permitiu o deslocamento de matérias-primas para as fábricas de forma mais rápida e eficaz, além de levar alimentos, armas e soldados nas duas guerras mundiais. Populações, regiões, países e continentes foram ligados pelo trem e suas estações foram a origem de inúmeras vilas e cidades, além de gerar milhares de pessoas.

            O primeiro trem circulou no Brasil em 30 de abril de 1854, por iniciativa do Barão de Mauá. A locomotiva A Baronesa percorreu 14 km entre a Baía de Guanabara e Raiz da Serra, em Petrópolis no Rio de Janeiro. A aquarelista Lílian Arbex concentra, nesta exposição, o seu olhar sobre as Estações de Minas Gerais.

            Não se trata de um estudo histórico ou econômico da importância das estações que restaram ou que foram destruídas ou abandonadas pelo tempo no seu Estado natal. As imagens expostas, parte de um projeto mais abrangente de pesquisa visual, constituem o olhar da artista sobre o universo das estradas de ferro da região.

            Isso significa tomar as estações de trem – e o universo que as rodeia – como ponto de partida plástico para uma jornada em que o olhar do artista visual ganha o primeiro plano. As linhas e cores sugeridas pelas estações de trem, pelas locomotivas e vagões, pelas pessoas do passado que se aglomeravam nas estações e pelas do presente, que geralmente contemplam belos espaços arquitetônicos muitas vezes abandonados e corroídos pelo tempo, são uma rica matéria-prima.

            Lidar com arte e, principalmente com a aquarela, pela capacidade de diluir a imagem própria do meio aquoso, oferece a oportunidade de introduzir as estações de trem de Minas numa atmosfera em que sonho e realidade se misturam progressivamente. O presente e o passado, e o real e o imaginado, adquirem grandeza e valor próprios.

            Lílian Arbex toma as estações de trem mineiras como assunto e lhes dá uma nova dimensão: aquela que só a arte propicia, marcada pela superação de barreiras cronológicas e pela convicção de que um trabalho plástico de qualidade é ponto essencial para ver o mundo com novos olhos, abrindo possibilidades, gerando questionamentos, e acima de tudo, propiciando encantamento com um mundo que não é o que consideramos real, mas que a arte – neste caso, especificamente a aquarela –, com sua magia, propicia.

 

            Oscar D’Ambrosio mestre em Artes Visuais pela UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil).

 

 

 

 



 

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