por Oscar D'Ambrosio


 

 


Toso

 

            A escultura do trabalho

 

Waldemir Felício Pimentel, o Toso, consegue, em suas obras em bronze, transformar figuras estáticas de diversos trabalhadores em seres humanos com movimento. É praticamente possível visualizar as ações imediatamente antes e depois do movimento congelado pelo artista.

Responsável desde a criação até a assinatura de cada peça, participando da fundição e do acabamento numa busca contínua de aprimoramento, Toso tem como marca registrada os tênis que coloca em seus personagens. Além de impacto plástico, eles dão a suas peças um senso de cntemporaneidade.

Sempre maiores em proporção ao todo, os tênis servem como ponto de equilíbrio e base da escultura e também da própria existência humana, que tem no trabalho um de seus alicerces. A textura das obras se destaca, pois o resultado obtido se assemelha ao couro. As pernas das figuras retratadas surgem então marcadas pelo sofrimento.

Se os tênis e as pernas grossas dão peso às esculturas, o alongamento que ocorre a partir dos joelhos, finalizado em braços bem finos, oferece ao conjunto um sentido de leveza. Cada escultura mostra domínio técnico, sendo o resultado de numerosos estudos sobre a resistência do bronze.

As imagens de Toso evocam o ruído de britadeiras e marretas, mas também carregam uma intensa poeticidade, um desejo visual de que os trabalhadores mecanizados pela sociedade e pelo mercado se transformem de fato em seres humanos e tenham direito a uma vida plena, digna e justa.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pela Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil).

 

 



 

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