Rodrigo
Carvalho
Emparedamento
humano
A
contemporaneidade surge marcada
por
dois
fatores
muito
importantes: a
falta de
comunicação
entre as
pessoas,
que
leva ao
isolamento, e a
massificação
que
torna
todos
iguais, perdidos
em
meio a uma
sociedade
que as transforma
em
meros
números,
anônimos, emparedados,
sem
direção a
percorrer.
Os
trabalhos
plásticos da
série “Homem
Universal”, de Rodrigo
Carvalho, ao
lidar
com
figuras humanas todas no
mesmo
padrão, diminutas
perante a
pressão
urbana, seja dos
automóveis
como de
outros
meios de
transporte, converte
indivíduos
em
bonecos
assexuados,
sem
braços,
nem
atitude.
A saturação de
cor e o
uso da
horizontalidade se tornam limitadores da
capacidade de
explorar
espaços e
buscar
alternativas de
sobrevivência
saudável
perante a
opressão
social e a multiplicidade de
imagens na
qual vivemos. Há
em
cada
obra do
artista uma
provocação
saudável
sobre o
que podemos
fazer
para
escapar dessa
situação.
A
visão de Rodrigo Carvalho da
realidade aponta
para a
tentativa desesperada do
homem padronizado de se
sentir
diferente de
seu
semelhante e de se
comunicar
dentro daquilo
que a
sociedade
lhe permite. A sua poética aponta
justamente
para a solidão. E a
sua
pintura é a
melhor
resposta
que tem a
oferecer.
Oscar
D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).