por Oscar D'Ambrosio


 

 


Rodrigo Carvalho

 

            Emparedamento humano

 

            A contemporaneidade surge marcada por dois fatores muito importantes: a falta de comunicação entre as pessoas, que leva ao isolamento, e a massificação que torna todos iguais, perdidos em meio a uma sociedade que as transforma em meros números, anônimos, emparedados, sem direção a percorrer.

            Os trabalhos plásticos da sérieHomem Universal”, de Rodrigo Carvalho, ao lidar com figuras humanas todas no mesmo padrão, diminutas perante a pressão urbana, seja dos automóveis como de outros meios de transporte, converte indivíduos em bonecos assexuados, sem braços, nem atitude.

A saturação de cor e o uso da horizontalidade se tornam limitadores da capacidade de explorar espaços e buscar alternativas de sobrevivência saudável perante a opressão social e a multiplicidade de imagens na qual vivemos. Há em cada obra do artista uma provocação saudável sobre o que podemos fazer para escapar dessa situação.

A visão de Rodrigo Carvalho da realidade aponta para a tentativa desesperada do homem padronizado de se sentir diferente de seu semelhante e de se comunicar dentro daquilo que a sociedade lhe permite. A sua poética aponta justamente para a solidão. E a sua pintura é a melhor resposta que tem a oferecer.                

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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