por Oscar D'Ambrosio


 

 
 

Emerson Zalotti

 

            Cores e sombras

 

            Conjugar a versatilidade com uma linha uniforme de trabalho é um dos grandes desafios dos artistas plásticos numa sociedade em que se exige grande especialização e onde os generalistas acabam sendo muitas vezes prejudicados por, muitas vezes, não conseguirem focar a sua obra numa só direção.

            Nesse panorama, em que o fazer dos artistas plásticos é muitas vezes avaliado pela crítica e pelo mercado como se devesse ter o rigor de um médico perito em algum aspecto específico do corpo humano, pensamentos como o de Emerson Zalotti contribuem para oferecer oxigênio à discussão.

            Ao mostrar as suas criações em técnica mista, esse artista diversificado, que  percorre gravuras, monotipias, desenhos e pinturas, propicia uma rica possibilidade de interação ao observador, que pode participar da obra, seja com seu olhar interrogador ou mesmo manipulando alguns elementos.

            Zalotti coloca no fundo dos trabalhos expostos na Casa Caiada 35, em junho de 2006, em São Paulo, SP, pinturas realizadas em várias técnicas. Nelas, a cor é fundamental, estabelecendo um mundo que chama a atenção pela liberdade como os elementos são articulados.

            Acima dessa base, separadas por um vidro, estão silhuetas femininas recortadas da cor negra. Com a inserção da luz sobre cada uma delas, surgem sombras sobre o que foi pintado. Desse modo, é possível ao observador mergulhar num intenso jogo, tanto no ato de mover as silhuetas como no de propiciar diferentes incidências de luz.

            A ampla utilização da cor dos fundos associada às silhuetas no primeiro plano, com destaque para nádegas, seios e cabelos, além de algumas feitas com rostos, gera um rico diálogo plástico entre o recorte e a pintura. Surge assim um universo poético regido pela cor e pelo prazer de ver como cada objeto criado oferece uma riqueza visual que não se esgota numa primeira visão.

            É exatamente pela possibilidade de cada trabalho ser o ponto de partida para diversas leituras em termos de cor, luz e sombra que as obras de Emeson Zalotti atingem relevância. A sua diversidade no domínio de técnicas ganha, na exposição na Casa Caiada, uma dimensão repleta de nuances de cor e de possibilidades lúdicas que encanta desde a primeira visão.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).

 

 

 

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técnica mista 2006

Emerson Zalotti

 

 

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