por Oscar D'Ambrosio


 

 


Elza Oda

 

            A liberdade dos trípticos

 

            A palavra tríptico vem do latim trptykos e significa “dobrado em três”. O termo é livremente utilizado para conjuntos de três trabalhos, sejam fixos ou móveis, que apresentam elementos comuns, seja em termos temáticos ou técnicos. O mais importante é que dialoguem entre si, integrando-se em nome de uma unidade plástica.

            Elza Oda domina a linguagem dos trípticos pela capacidade de desenvolver um assunto com profundidade e riqueza de recursos. Seja algum elemento da natureza, um conjunto de paisagens, flagrantes da cidade de São Paulo ou a paz mundial, a pintura e suas potencialidades consegue ser sempre o principal tema tratado pela artista.

            Filha de lavradores,  nasceu em Presidente Prudente, SP, em 29 de junho de 1941, e radicou-se em São Paulo, SP, em 1960. Sonhava em ser pintora desde os quatro anos de idade e foi como professora de desenho e outras atividades artísticas que passou a dominar e a praticar as mais diversas técnicas com os mais diferentes materiais, como desenho a carvão, lápis, pastel, óleo sobre tela, aquarela e aerografia.

            Pedagoga, com especialização em História da Arte, licenciada em Educação Artística, em Desenho e Plástica, com especialização em Desenho Geral e Pedagógico, por mais de 35 anos, Elza concentrou sua carreira na educação de crianças, adolescentes e adultos, lecionando desenho, geometria plana descritiva, perspectiva e artes plásticas.

            Nunca, porém, deixou de lado o sonho de criança de ser artista e, em 1997, ao se aposentar como diretora de escola, passou a dedicar-se integralmente à pintura, voltando-se para várias temáticas. Uma das principais é a natureza, vista sempre com imensa liberdade, principalmente nas cores.

A habilidade de combinar o realismo e o detalhismo das figuras com a maneira absolutamente pessoal e emotiva de trabalhar as cores dão o diferencial da pintura de Elza . Assim ela obteve numerosas premiações, com destaque no 1º e no 2º Salão de Pintura Figurativa Bunkyo, promovido pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, respectivamente com imagens de bananeiras e alcachofras.

A grande questão colocada pela artista é que as suas bananeiras, alcachofras ou paisagens são muito mais do que parecem em uma olhada apressada. Há nelas bem mais do que técnica acadêmica cuidadosamente estudada e desenvolvida ao longo de anos.

O que existe de especial na pintura absoluta é um amplo exercício de liberdade técnica. Ela sabe como pintar, mas se pergunta e nos indaga plasticamente por que as cores do mundo não podem ser outras. As cores que ela vê são próprias, oriundas da mescla entre o conhecimento técnico e o sentimento vivido.

Elza Oda encontra na cor a liberdade maior de sua criação. Seus trípticos são questionamentos constantes ao nosso hábito de ver o mundo sempre do mesmo modo. Assim, bananeiras e alcachofras surgem com uma intensidade ímpar e as paisagens rurais e urbanas que vê estão longe do lugar comum.

Caracterizados pela humanidade e pelo talento, os trípticos da pintora paulista oferecem, com seus traços delicadamente expressivos e cores quentes e significativas, uma visão de mundo lírica e densa, marcada pela liberdade de dizer aquilo que deseja com os pincéis. Por isso, ela se adapta bem à linguagem regida por conjuntos ternários que desafiam a artista a transformar em tintas uma mensagem íntegra e plena.

O olhar de Elza sobre os mais diversos temas ilumina a alma dos observadores e da própria artista. Eles percebem a intrínseca humanidade do trabalho, enquanto ela tem um processo de evolução pessoal e artístico ao realizar cada nova tela, que representa um prazeroso desafio em busca de um conhecimento cada vez maior de si mesma e da técnica que domina.

A artista  faz isso com a naturalidade de quem domina a arte do desenho e da pintura. Seu desafio em cada novo trabalho, graças à liberdade empregada no ato de fazer artístico, é superar o anterior, sempre movida pela certeza de que a prática constante é a melhor maneira de tornar cada tríptico um conjunto que constitui, em si mesmo, uma aula de arte e um desafio a qualquer tipo de comodismo, seja intelectual ou pictórico.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Cláudio Tozzi (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 
 

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Alcachofra
acrílica sobre tela
Grande Prêmio de Ouro
Segundo Salão de Pintura Figurativa Bunkyo
2002
Elza Oda
 

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