por Oscar D'Ambrosio


 

 


Eli Lima

 

            O poder da cor

 

            O domínio da cor é um grande desafio nas artes plásticas. Trata-se de um instrumento poderoso para definir uma poética visual e uma linguagem diferenciada que torne a obra reconhecível pelo trabalho pictórico realizado e pela sua identificação como marca registrada de um artista.

            Pintora baiana radicada em São Paulo, Eli Lima tem no uso de cores primárias e quentes uma forte característica. Pinta desde os oito anos de idade e se aprofundou no domínio do óleo sobre tela com o artista plástico Lanzieri. Sua carreira inclui mostras individuais e coletivas na Argentina, Brasil e Espanha, marcadas pela presença da temática da brasilidade.

            Em obras como Tropical I e Bahia do mar, por exemplo, contornos negros bem marcados delimitam as áreas de cor, gerando jogos multifacetados, próximos aos de mosaicos, em que as formas vão surgindo com forte apelo lúdico. Pelo uso da cor, são criadas situações em que um intenso dinamismo visual se faz presente, estimulando o observador a participar mais intensamente do quadro com releituras constantes.

            Processo semelhante ocorre em Urbanos, só que nesta obra predomina a verticalidade, tanto do formato do suporte como no uso das linhas. O resultado é bastante intenso. O trabalho revela o potencial da artistas de criar climas de grande densidade com o uso de cores predominantemente quentes.

            Um lirismo maior surge quando as tonalidades são atenuadas e a reflexão crítica sobre a sociedade ganha espaço. Manifesto urbano apresenta o mérito de criar uma atmosfera questionadora da vida nas metrópoles, onde a grandiosidade dos edifícios é colocada ao lado de uma figura masculina sutilmente geometrizada, permitindo o estabelecimento de elos entre as capacidades humana de construir e de pensar.

            Quando o fundo passa a ter cores mais escuras, surgem manchas quentes e cinzentas em composições abstratas de grande expressividade. Elementos revela as intensas possibilidades da construção de uma manifestação artística sem a presença de referenciais concretos, mas com a criação de climas misteriosos.

            As imagens plenas de brasilidade, as criações de questionamentos da desumanidade urbana e o desafio de compor abstrações plasticamente bem resolvidas em termos de formas e estruturas apontam três possibilidades plásticas da obra de Eli Lima. O ato de trabalhar em cada uma delas exige a perseverança de mergulhar em cada um desses caminhos para atingir um resultado cada vez mais expressivo, onde a presença e a ausência da cor ocupam, sem dúvida, um papel fundamental.

           

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Cláudio Tozzi (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 
 

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  Urbanos 
óleo sobre painel 0,70 x 0,50 cm 2005

 Eli Lima

 

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